SUBLIME DÚVIDA

5 09 2011

Recentemente o canal Futura produziu um comercial que afirma que as perguntas é que movimentam o mundo, não as respostas. Parece inteligente o argumento, visto que consegue interpretar uma das mais significativas características da nossa geração. O comercial assevera que não carecemos de respostas, mas sim, de perguntas. Basta que duvidemos de tudo e teremos uma vida em movimento.

Pois bem, esta relatividade que sublima a dúvida não nos dá espaço para qualquer afirmação absoluta: para que respostas, se as perguntas são mais inteligentes?

O nosso contexto revela que assertivas como as colocadas nos evangelhos estão na contra-mão da época. Pense o que seria afirmar que aquele que rejeita a fé em Cristo está condenado, como sugere o evangelista João? Descabida proposição para a Pós-Modernidade. Melhor é encontrar um “jeitinho” de salvar o que não crê, observando para seu caráter, suas obras, sua praxis.

No embalo dúvidas, em que as afirmativas absolutas são um contra-senso, muitos líderes evangélicos estão se diluindo na relatividade. Nem todos se sentem aptos para responderem aos seus liderados sobre conceitos bíblicos do pecado, da justiça ou da salvação. Tudo tem que ser bem adaptado à realidade e, a mercê desta perspectiva, ninguém parece certo de alguma coisa.

Tal qual a liderança que de pouca coisa tem certeza, os liderados se tornam vítimas de uma onda elevadíssima de idéias opostas que vão dando o tom dos discursos nas igrejas. Quem mentoreia os fiéis? Qualquer um!

O risco que corremos nesta geração é o de negar até o que a ortodoxia considera absoluto. Somos capazes de criar novas doutrinas em razão do nosso contexto, e por aí segue a vida (ou a -vida).

O que vale, para a nossa realidade, é duvidar se realmente eu careço de fé, ou de salvação, ou de Deus. Nem mesmo preciso de alguma certeza do arrebatamento, ou da necessidade de comunhão… Nosso contexto revela que nenhuma resposta apresentada às nossas perguntas é de certo verdadeira.

Como lidar com isso? Só há um caminho – a apologética, bem defendida no livro de Judas  - que parece ter sido escrito para nossos dias. Esta é a hora, este é o cenário que nos obriga (àqueles que ainda primam pela verdade) a “batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos” e proclamar, com a ousadia que se fizer necessária, a verdade que anula a dúvida e nos faz trilhar por caminho seguro.





MINHA PEQUENA KANDY

31 08 2011

Minha pequena é doce e inteligente
Com seu imaginário rico e divergente
Ouve com o coração o que nem sempre
Um grande poeta teria em mente

Minha pequena Kandy em graça traduz
O que o passarinho canta e inspira
Em palavras simples me produz:
“O passarinho sabe a música ZicZira”

Minha pequena chega hoje aos sete
Em casa destila sua alegria e singeleza
Cria, encanta, chora e ri

Com sua herança inspiradora e beleza
Faz o “palco” de seu mundo se abrir
Para o universo desta encantadora princesa.





GRAÇA “CULTURAL”

27 08 2011

Nossa riqueza cultural é realmente impressionante. Basta uma saída pela “terra-brasilis” para se ter uma noção de como as variedades culturais se pluralizam. Sou da Bahia, berço também do meu ministério. Quando cheguei a São Paulo, há sete anos, trouxe na minha bagagem alguns conceitos que tiveram de ser adaptados para a realidade do Sudeste. De volta a Bahia esta semana, mais uma vez me vi imerso na cultura de um povo alegre e “pra cima”, que, como diria meu predileto cantor João Alexandre, “ri até da tristeza”.

Essa variedade cultural é nitidamente presente na igreja. Uma das características marcantes na juventude da Bahia me pareceu, nos dias em que estive com algumas dezenas de jovens no interior de Feira de Santana, a sublimação das experiências místicas e sobrenaturais. Sem igual!

A princípio, fiquei um tanto incomodado com o formalismo de uma galera adolescente. Não que eu nunca tenha visto tal. Eu mesmo, em toda a minha adolescência e juventude, trilhei por este caminho. Minha mãe dizia que eu parecia um adulto em miniatura. Foi mais ou menos o que pensei no início do retiro do qual participei. Mas logo em seguida me convenci de que o perfil desta galera é este mesmo: sua expectativa gira em torno do místico e do espiritual, um tanto diverso do que vejo na juventude de São Paulo.

Durante os dois dias de retiro, ouvi o pregador que dividiu o púlpito comigo asseverar que Deus iria “soprar a cinza do altar” daqueles jovens e iria promover um grande avivamento.  Ele falou primeiro. Fiquei preocupado, pois o clima era de uma atmosfera espiritual numa “redoma” alienada da realidade daqueles jovens. Pensei comigo: “estou perdido, pois não falo a mesma língua do pregador”. A mensagem que eu havia preparado era justamente o oposto – diria eu que Deus não nos deixaria alienados numa bolha de espiritualidade, mas que nos faria – como o fez com a mulher samaritana – voltar para a cidade (ou para a nossa realidade) a fim de transformá-la por nossa experiência com Cristo.

Pois bem, antes de mim ainda havia outro pregador. Pregou no mesmo texto que eu tinha por base – João 4. A mensagem, embora em nada assemelhasse ao do amigo avivalista da noite anterior, também versou pela trilha do sobrenatural – o mundo sob o controle de Satanás. Mais uma vez me vi apertado (embora tenha me identificado bastante com a linguagem sóbria e culta do pregador). Como iria eu dizer que podemos viver para Cristo sem precisar fazer “guerra” espiritual?

Finalmente, fui me envolvendo com a “dinâmica” das reuniões.

Compartilhei as minhas preocupações com “Meu Bem” (que ficara em S.Paulo) e ouvi seu sábio conselho: “seja você mesmo”. Preguei. Do meu jeito. Saí feliz, confortável.

Depois da minha palavra, o meu companheiro de púlpito “encerrou” a mensagem – isso mesmo, a minha mensagem! De carona no mesmo texto versou mais uma vez pelo sobrenatural e o clima foi impressionante. Extasiante! Vibrante, no seu mais puro significado.

A atmosfera espiritual envolveu os jovens e adolescentes como há tempos eu não via desde a minha adolescência em Vitória da Conquista: gente batizada no Espírito Santo, adolescentes profetizando, outros caindo “no poder”, outros pulando, e eu, claro, entrei no “mistério”: chorei, muito emocionado. Não deu para terminar a reunião, que começou às 14h e já havia entrado pelas 18h. E quando o pastor declarou encerrada a reunião, ninguém ousou perder aquela dimensão espiritual. Pelos cantos do sítio, no auditório, no refeitório, nas redes e nos quartos era possível encontrar algum jovem ou adolescente quebrantado, ainda falando “em mistério”. Eu entrei para o meu quarto quase arrebatado…

Fiquei imaginando como seria uma coisa destas em São Paulo. Nossos jovens talvez até se divertissem com o clima, mas a distância da variedade cultural poderia provocar certo desconforto. O horizonte de expectativas de um adolescente do Sudeste parece não ser o mesmo do adolescente baiano. Nossa galerinha de Sampa foca outras coisas, em vistas de seus anseios. Enquanto na Bahia o horizonte é místico, no Sudeste existe uma expectativa asfixiante voltada para outros valores, não menos santos, mas bem menos “emotivos”. Particularmente, eu transito por ambos com a mesma apreciação.

Voltei da Bahia com mais esta concepção em minha bagagem: precisamos respeitar a variedade cultural – desde que não fira os princípios cristãos – para que encontremos o solo no qual a semente da Palavra será lançada. Viva nossa diversidade! Viva nossa riqueza! Viva nossa Bahia! Viva nossa Guarulhos! E cada um viva a sua realidade sem perder a graça – que é tão plural quanto a nossa cultura.

 





QUANDO FALAR?

24 08 2011

Meu filho de 10 anos começa a estudar o corpo humano neste bimestre. Empolgado com seu novo livro de ciências, fez questão de me mostrar página a página. Parou, admirado, no último capítulo – que fala sobre a reprodução humana.

Ele me mostrou as imagens de um embrião e se interessou em saber como nasce uma criança. Confesso que não pensei que ainda era a hora de falar sobre este assunto, mas a situação me exige. Preferi perguntar a ele: como você acha que este embrião começou a se desenvolver? Você sabe o processo inicial? Como o útero recebeu o embrião?

Eu preferi ouvir apenas a primeira resposta – uma negativa, pois ainda (creio!) ele desconhece o modo como o embrião se forma. Então, como estávamos quase saindo para um compromisso, resolvi adiar por um tempo o assunto. Mas não será por muitos dias, pois quero que ele chegue a esta aula já com um prévio entendimento.

O fato me fez pensar nos desafios que os pais têm para educar os filhos atentando-se para seus princípios e valores. Uma hora todos teremos que ser francos com nossos pequenos, para que eles não tenham que aprender com os “coleguinhas”. Muitos dos nossos jovens e adolescentes, mormente os que são filhos de crentes, acabam por terem uma sexualidade turbulenta em razão dos tabus que os pais criam para falar sobre certos assuntos.

As vezes, somos surpreendidos pelos nossos filhos. Um garoto de 9 anos, filho de uma amiga, deixou seus pais extasiados. Eles falavam sobre a gravidez indesejada de uma secretária, quando o moleque afirmou: “ela é boba! se fosse eu teria usado camisinha!”.
A mãe, surpresa, perguntou: onde você ouviu falar disso, menino? E a resposta: “Ora, mãe!”

O fato acima parece provocar em nós, pais, uma certa inquietação. Quando devemos iniciar uma conversa sobre estes assuntos com nossos filhos? Quando eles estarão preparados?

Penso que qualquer coisa pode ser dita a qualquer momento, desde que saibamos como dizer. Minha maior preocupação não se detém no QUANDO falar, mas na FORMA de falar.

O silêncio sobre isso certamente é pior. Atendi já alguns rapazes que me procuram para tirar dúvidas sobre a sexualidade. Alguns já com seus 19, 20 anos, e que nunca tocaram neste assunto com os pais. Outro dia aconselhei a um jovem de 27 anos que trazia consigo uma grande aflição, pois, sempre tolhido em seus impulsos, acabou por desenvolver certa apreciação por si mesmo. Consequentemente, desenvolveu uma tendência homossexual. Perguntei: algum dia você falou sobre isso com seus pais? Diante da resposta negativa, o jovem apenas disse que seu tio o explorara na adolescência e esta foi a única “orientação” que ele recebeu…
Sei que nem todos os jovens que não tiveram acesso as informações sobre a sexualidade quando dos seus dilemas e dúvidas trazem conflitos nesta área. No entanto, sei também que aqueles que trazem algum conflito tem um histórico de silêncio sobre o assunto – principalmente na adolescência ou pré-adolescência.

Quero meus filhos sadios quanto a sua sexualidade. Quero que eles levem sempre os princípios que norteiam nossa vida sexual para que eles não tenham que resolver seus dilemas pela promiscuidade ou pela desorientação.





PATERNIDADE PARTICIPATIVA

15 08 2011

Esta semana fui mais uma vez perseguido pela história de Abraão, quando do oferecimento de Isaque. Já versei sobre isto aqui no blog: (http://migre.me/5uQn9). No entanto, por conta do dia dos pais, fiquei mais uma vez diante da reflexão sobre o tipo de paternidade exercida por Abraão.

O tipo de paternidade exercida por Abraão não parecia manipuladora, mas inspiradora. Exercer autoridade respeitando a liberdade do filho somente é possível pelo princípio da inspiração, nunca da manipulação. Pelo visto, assim Abraão conseguiu levar consigo Isaque para um momento íntimo de adoração e sacrifício.

Penso que esta deve ser a maneira de criar meus filhos. Os tenho com muito amor e carinho. Procuro a cada dia ser uma referência de vida para eles. Não os quero longe do altar, e não quero subir sozinho a fim de adorar ao Senhor. Penso: como convencer meus filhos? Não pode ser pela imposição! Quero que eles sejam influenciados pela minha paixão, pela minha certeza e pela minha vida.

Alguns pais dizem que querem ser amigos dos filhos. Particularmente, não gosto disso. Quero que meus filhos me tenham como PAI, não como seus amiguinhos. Isso não me isenta da responsabilidade de vivenciar as alegrias e tristezas, as brincadeiras e os estudos de forma participativa. Mas o que quero é participar da vida deles como pai.

Todos os dias, exceto em momentos raros, levo e busco minhas crianças para a escola. Com eles brinco, rolo no chão, sorrio, conto histórias e ouço as deles. Leio com eles, canto e danço. Mas também reclamo, corrijo e sou incisivo nos momentos em que o comportamento deles me obriga. Assim, quero conduzi-los à maturidade.

A minha bandeira, neste particular, é da Paternidade Participativa.





QUEM SE IMPORTA?

7 08 2011




…HERODES MUITO SE ALEGROU…

2 08 2011

A leitura do texto de Lucas 23.8-11 me fez pensar que se tratava de algum personagem de nossa geração. Mas era um relato sobre Herodes Antipas.

Este governante da Galiléia, quando do julgamento de Jesus, ficou muito feliz por encontrar nosso Mestre – pois há muito desejava vê-lo, esperando algum sinal feito por ele.

Pensando superficialmente, Herodes demonstra um comportamento digno de um crente: quem não se alegraria em ver Jesus? Quem não gostaria de ver seus sinais? Quem não gostaria de tirar suas dúvidas fazendo-lhe perguntas?

Pois bem, a bíblia acusa a motivação de Herodes: sua alegria era provocada por motivos nada louváveis. Sua “busca” por Jesus era apenas para satisfazer sua curiosidade, talvez para – como bom personalista que era – comentar entre os seus sobre sua sagacidade diante do nosso Senhor.

Herodes estava apenas interessado no espetáculo. Ele olhava para Jesus como um mero ator, um mágico, um ilusionista… Bem que um espetáculo de cura seria um belo entretenimento!

Herodes bombardeou com perguntas. Muitas perguntas. Mas Jesus nada respondeu. E Herodes, desapontado, desprezou a Jesus.

Como disse antes, Herodes é a caricatura de alguns crentes. Muitos de nós estamos interessados apenas no espetáculo. Como gostamos dos eventos de cura, dos milagres, dos movimentos! Gostamos disso e buscamos a Jesus apenas pelos seus “preciosos” feitos, e não pelo que Ele é. As igrejas que apelam por esta marca estão lotadas, nem mesmo cabem mais de gente. Imagino Jesus diante deste povo sem escrúpulo, atraído pelo pão que perece, pelo teatro ritualístico de alguns pastores.

Estes crentes herodianos estão prontos para desprezar o Mestre, caso Ele não satisfaça seus anseios. Nós nos decepcionamos com a mesma rapidez que nos alegramos. Muitos, movidos pelo desapontamento, já despediram o Senhor, pois Jesus nem sempre faz o que queremos.

Deus tenha piedade de nós!








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