GRAÇA “CULTURAL”

27 08 2011

Nossa riqueza cultural é realmente impressionante. Basta uma saída pela “terra-brasilis” para se ter uma noção de como as variedades culturais se pluralizam. Sou da Bahia, berço também do meu ministério. Quando cheguei a São Paulo, há sete anos, trouxe na minha bagagem alguns conceitos que tiveram de ser adaptados para a realidade do Sudeste. De volta a Bahia esta semana, mais uma vez me vi imerso na cultura de um povo alegre e “pra cima”, que, como diria meu predileto cantor João Alexandre, “ri até da tristeza”.

Essa variedade cultural é nitidamente presente na igreja. Uma das características marcantes na juventude da Bahia me pareceu, nos dias em que estive com algumas dezenas de jovens no interior de Feira de Santana, a sublimação das experiências místicas e sobrenaturais. Sem igual!

A princípio, fiquei um tanto incomodado com o formalismo de uma galera adolescente. Não que eu nunca tenha visto tal. Eu mesmo, em toda a minha adolescência e juventude, trilhei por este caminho. Minha mãe dizia que eu parecia um adulto em miniatura. Foi mais ou menos o que pensei no início do retiro do qual participei. Mas logo em seguida me convenci de que o perfil desta galera é este mesmo: sua expectativa gira em torno do místico e do espiritual, um tanto diverso do que vejo na juventude de São Paulo.

Durante os dois dias de retiro, ouvi o pregador que dividiu o púlpito comigo asseverar que Deus iria “soprar a cinza do altar” daqueles jovens e iria promover um grande avivamento.  Ele falou primeiro. Fiquei preocupado, pois o clima era de uma atmosfera espiritual numa “redoma” alienada da realidade daqueles jovens. Pensei comigo: “estou perdido, pois não falo a mesma língua do pregador”. A mensagem que eu havia preparado era justamente o oposto – diria eu que Deus não nos deixaria alienados numa bolha de espiritualidade, mas que nos faria – como o fez com a mulher samaritana – voltar para a cidade (ou para a nossa realidade) a fim de transformá-la por nossa experiência com Cristo.

Pois bem, antes de mim ainda havia outro pregador. Pregou no mesmo texto que eu tinha por base – João 4. A mensagem, embora em nada assemelhasse ao do amigo avivalista da noite anterior, também versou pela trilha do sobrenatural – o mundo sob o controle de Satanás. Mais uma vez me vi apertado (embora tenha me identificado bastante com a linguagem sóbria e culta do pregador). Como iria eu dizer que podemos viver para Cristo sem precisar fazer “guerra” espiritual?

Finalmente, fui me envolvendo com a “dinâmica” das reuniões.

Compartilhei as minhas preocupações com “Meu Bem” (que ficara em S.Paulo) e ouvi seu sábio conselho: “seja você mesmo”. Preguei. Do meu jeito. Saí feliz, confortável.

Depois da minha palavra, o meu companheiro de púlpito “encerrou” a mensagem – isso mesmo, a minha mensagem! De carona no mesmo texto versou mais uma vez pelo sobrenatural e o clima foi impressionante. Extasiante! Vibrante, no seu mais puro significado.

A atmosfera espiritual envolveu os jovens e adolescentes como há tempos eu não via desde a minha adolescência em Vitória da Conquista: gente batizada no Espírito Santo, adolescentes profetizando, outros caindo “no poder”, outros pulando, e eu, claro, entrei no “mistério”: chorei, muito emocionado. Não deu para terminar a reunião, que começou às 14h e já havia entrado pelas 18h. E quando o pastor declarou encerrada a reunião, ninguém ousou perder aquela dimensão espiritual. Pelos cantos do sítio, no auditório, no refeitório, nas redes e nos quartos era possível encontrar algum jovem ou adolescente quebrantado, ainda falando “em mistério”. Eu entrei para o meu quarto quase arrebatado…

Fiquei imaginando como seria uma coisa destas em São Paulo. Nossos jovens talvez até se divertissem com o clima, mas a distância da variedade cultural poderia provocar certo desconforto. O horizonte de expectativas de um adolescente do Sudeste parece não ser o mesmo do adolescente baiano. Nossa galerinha de Sampa foca outras coisas, em vistas de seus anseios. Enquanto na Bahia o horizonte é místico, no Sudeste existe uma expectativa asfixiante voltada para outros valores, não menos santos, mas bem menos “emotivos”. Particularmente, eu transito por ambos com a mesma apreciação.

Voltei da Bahia com mais esta concepção em minha bagagem: precisamos respeitar a variedade cultural – desde que não fira os princípios cristãos – para que encontremos o solo no qual a semente da Palavra será lançada. Viva nossa diversidade! Viva nossa riqueza! Viva nossa Bahia! Viva nossa Guarulhos! E cada um viva a sua realidade sem perder a graça – que é tão plural quanto a nossa cultura.

 





QUEM SE IMPORTA?

7 08 2011




…HERODES MUITO SE ALEGROU…

2 08 2011

A leitura do texto de Lucas 23.8-11 me fez pensar que se tratava de algum personagem de nossa geração. Mas era um relato sobre Herodes Antipas.

Este governante da Galiléia, quando do julgamento de Jesus, ficou muito feliz por encontrar nosso Mestre – pois há muito desejava vê-lo, esperando algum sinal feito por ele.

Pensando superficialmente, Herodes demonstra um comportamento digno de um crente: quem não se alegraria em ver Jesus? Quem não gostaria de ver seus sinais? Quem não gostaria de tirar suas dúvidas fazendo-lhe perguntas?

Pois bem, a bíblia acusa a motivação de Herodes: sua alegria era provocada por motivos nada louváveis. Sua “busca” por Jesus era apenas para satisfazer sua curiosidade, talvez para – como bom personalista que era – comentar entre os seus sobre sua sagacidade diante do nosso Senhor.

Herodes estava apenas interessado no espetáculo. Ele olhava para Jesus como um mero ator, um mágico, um ilusionista… Bem que um espetáculo de cura seria um belo entretenimento!

Herodes bombardeou com perguntas. Muitas perguntas. Mas Jesus nada respondeu. E Herodes, desapontado, desprezou a Jesus.

Como disse antes, Herodes é a caricatura de alguns crentes. Muitos de nós estamos interessados apenas no espetáculo. Como gostamos dos eventos de cura, dos milagres, dos movimentos! Gostamos disso e buscamos a Jesus apenas pelos seus “preciosos” feitos, e não pelo que Ele é. As igrejas que apelam por esta marca estão lotadas, nem mesmo cabem mais de gente. Imagino Jesus diante deste povo sem escrúpulo, atraído pelo pão que perece, pelo teatro ritualístico de alguns pastores.

Estes crentes herodianos estão prontos para desprezar o Mestre, caso Ele não satisfaça seus anseios. Nós nos decepcionamos com a mesma rapidez que nos alegramos. Muitos, movidos pelo desapontamento, já despediram o Senhor, pois Jesus nem sempre faz o que queremos.

Deus tenha piedade de nós!





“ALÉM DO AMOR NÃO HÁ NADA”

9 05 2011

“O tempo passa? Não passa!” diria o poeta mineiro. Na opinião de Drummond, o coração tem o poder de eternizar certos sentimentos; o amor, escutando o apelo desta eternidade, coloca-se acima do tempo.

Hoje estou olhando por sobre meus ombros e me vejo há 13 anos, bem aqui, pertinho, em frente à pessoa que conseguiu com sua naturalidade e beleza fazer este meu sentimento transcendente assim. Hoje, nos nossos 13 anos de casados, eu vejo “Meu Bem” – quando ainda adolescente – e miro seus olhos marcando o início de algo que se tornaria sem fim. Repito Drummond: “nosso” aniversário é um nascer toda hora.

Sou feliz no amor. “Além do amor não há nada”.

Não preciso escrever muito. Há coisas que não se traduzemem palavras. Apenas quis registrar que o meu amor por minha Jesiana está muito vivo, “…e sempre, e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encanta mais meu pensamento”.

E se eu voltasse no tempo? O tempo para mim ainda é o mesmo, no meu coração. Não precisa voltar. O amor não envelhece. O amor não muda. Se mudar, não é amor.





QUANDO O DIA AMANHECER…

14 04 2011

Jorão herdara o reino do seu pai Acabe. Os moabitas, que pagavam imposto a Israel, aproveitaram a morte de Acabe para sonegar. Jorão, então, convida o rei de Judá – Jeosafá – e o de Edom para juntos pelejarem contra Mesa – rei de Moabe.

 

Sete dias caminharam pelo deserto, os três reis, até acabar a água. Sedentos, pensavam que morreriam – quem sabe Deus os tivesse levado ali para destruí-los. Não, não foi assim!

 

Eles consultaram o profeta Eliseu. Este, chamando um músico (ao deserto), recebeu o Poder do Espírito enquanto a adoração era executada. Falou por Deus aos reis: cavem valas no deserto, pois elas serão cheias de água. Não sentirão o vento, nem vereis chuva, contudo o vale se encherá, e todos se saciarão.

 

Dito e feito. Ao amanhecer, as águas vieram e encheram a terra.

 

A historia acima revela alguns princípios importantes, quando estamos atravessando o deserto: a) nunca despreze a Palavra – representada pelo profeta – pois somente a Palavra nos dá direção. b) não sufoque a adoração, mesmo que esteja sedendo no deserto – o músico tocava, enquanto descia o Poder. c) Prepare o reservatório, ainda que não haja sinal da bênção. Isso demonstra sua convicção de que Deus vai responder, mesmo que seja sem vento ou chuva! Por fim, d) tenha paciência até o dia raiar. A noite pode parecer longa, em alguns casos, mas o dia sempre vem, trazendo a alegria que inunda a terra.

(mais detalhes desta história: 2 Reis 3)





SANDRO

3 03 2011

Pausa. Foi uma pausa do instrumento nas mãos de Deus. Ministro querido, dedicado e amado. Gastou tempo, empreendeu esforço, ganhou vidas. As crianças do Peri… Elas sabem bem quem era o Sandrão – que permitiu-se diluir na harmonia de seu instrumento para dar aquela garotada o prazer de conhecer a música. Sandrão foi como música.

Há gente como música. Algumas músicas não ficam em nossa memória. Mas há músicas que tocam, que marcam. Mesmo depois de tempos, ao ouvi-las, elas nos remetem a lembranças e até nos fazem chorar. Algumas músicas terminam, mas nunca encerram…

Ouço ainda o Sandrão. Ouço sua voz agradável de dentro de minha sala nas manhãs de quarta. Ele toca no auditório, enquanto eu atendo…

Logo mais, concluiremos a peça neste mundo. O cemitério da Cachoeirinha vai receber o corpo. Somente o corpo. A orquestra divina recebe mais um músico. Fermata.





NADA A ACRESCENTAR

5 02 2011

A bíblia é completa. Nada mais é preciso acrescentar a ela, nenhuma outra revelação. Esta deve ser a pauta da pregação.

Vez por outra vejo alguns pregadores esticarem a mensagem bíblica, buscando revelações paralelas. Aqueles que descobrem algo “estupendo!”, valem-se da descoberta para se promover no “mercado” evangélico, e inventam as “visões” disso e daquilo.

Na TV um pregador asseverou, hoje de manhã: “Deus não está no controle de todas as coisas”. Afrontando a Soberania, explicou-se dizendo que Deus entregou o mundo à sorte das decisões humanas. Este é o viés da Teologia Relacional – que prega que Deus deixa o futuro aberto, sujeito ao homem, e nem mesmo as catástrofes naturais são por Ele geridas.

Os programas são um celeiro de proliferação de estrelas que tentam, por sua vez, imprimir a imagem de “grande homem de Deus”. Não vou julgar as motivações… O que me preocupa é o conteúdo.

Sou apreciador dos pregadores que primam pelo que a bíblia revela, e somente isto. Tal postura não impede a pregação inteligente. Que o diga C.S.Lewis, cujo livro citei aqui recentemente: Cristianismo Puro e Simples – abordagem de notada inteligência, sem ferir a doutrina.

Tenho dito que a igreja não precisa de métodos anômalos para se desenvolver. A palavra pura e simples, como Jesus pontuou nos Evangelhos, é suficiente. Não gosto de rótulos nem de produtos em promoção. Isso não nos isenta da responsabilidade de buscar uma metodologia de trabalho dinâmica, avivada, ativa. No entanto, a metodologia não carece de embasamento doutrinário. Antes, é norteada por princípios da administração que devem ser aplicados em qualquer instituição.

Sobre este assunto, tenho muito a acrescentar. Aos poucos me posiciono. Quanto ao Evangelho e a pregação, a Bíblia está completa.





Verus Thesaurus

31 10 2010

Sola Fide

Sola Scriptura

Sola Christus

Sola Gratia

Soli Deo Gloria





“sua tv é uma nojeira moral, Macedo”

20 10 2010




NÃO APLAUDA, AINDA!

2 10 2010

Muita gente é precipitada. Tem gente que torce pelo sucesso, outros torcem pelo fracasso. Na sua torcida, acaba se precipitando em aplaudir antes do tempo. Os que torcem pelo sucesso, qualquer fato positivo já o faz comemorar. Já os que torcem pelo fracasso, ficam ainda mais apreensivos, e mesmo quando não há um fato, apenas um indício negativo, já lhe faz aplaudir.

Eu tenho pessoas que me cercam de ambos os lados. Os meus apoiadores torcem pelo meu sucesso; os invejosos torcem pelo meu fracasso. Desta última torcida, alguém se precipitou e aplaudiu antes do tempo. Não havia fato, nem mesmo indícios de fracasso; havia apenas uma comunicação errada – o suficiente para que alguém comemorasse. Estultícia.

Na última sexta-feira eu tive o privilégio de assistir ao vivo à Deutsches Kammerorchestrer – uma belíssima orquestra alemã de cordas. A “Sinfonia em Fá Maior”, de Mozart, foi executada em três movimentos. Houve alguém desavisado que aplaudiu a orquestra quando esta encerrou o primeiro movimento, allegro, precipitadamente. O maestro, imediatamente, pediu silêncio à platéia. Não era hora de aplaudir. Para quem conhece de música, somente se aplaude ao final da peça, nunca nos intervalos dos movimentos.

Na platéia, sentado e plenamente arrebatado pela bela execução, veio-me à memória os desavisados que me assistem. Sorri dentro de mim ao me lembrar de alguém que se precipitou ao avaliar um fato semana passada e me mandou um e-mail em que explicitamente revelou seu ciúme e sua torcida pelo meu fracasso. Pena. Eu sei perfeitamente que a peça não está concluída. Assim, asseverei para o silêncio.

O problema não é aplaudir. É saber a hora de aplaudir. Seja de que lado você esteja, celebre ao fim da peça, seja sua torcida contra ou a favor.

Bom Final de Semana.








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