“ALÉM DO AMOR NÃO HÁ NADA”

9 05 2011

“O tempo passa? Não passa!” diria o poeta mineiro. Na opinião de Drummond, o coração tem o poder de eternizar certos sentimentos; o amor, escutando o apelo desta eternidade, coloca-se acima do tempo.

Hoje estou olhando por sobre meus ombros e me vejo há 13 anos, bem aqui, pertinho, em frente à pessoa que conseguiu com sua naturalidade e beleza fazer este meu sentimento transcendente assim. Hoje, nos nossos 13 anos de casados, eu vejo “Meu Bem” – quando ainda adolescente – e miro seus olhos marcando o início de algo que se tornaria sem fim. Repito Drummond: “nosso” aniversário é um nascer toda hora.

Sou feliz no amor. “Além do amor não há nada”.

Não preciso escrever muito. Há coisas que não se traduzemem palavras. Apenas quis registrar que o meu amor por minha Jesiana está muito vivo, “…e sempre, e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encanta mais meu pensamento”.

E se eu voltasse no tempo? O tempo para mim ainda é o mesmo, no meu coração. Não precisa voltar. O amor não envelhece. O amor não muda. Se mudar, não é amor.





O DIA RAIOU…

15 12 2010

Há um tempo não postei texto no blog. Houve reclamação dos que me visitam sistematicamente. Peço-lhes perdão.

Quem está mais perto de mim conhece bem o cenário onde eu e minha família atuamos nos últimos meses. Quem lê o blog também, visto que por algumas vezes ressaltei aqui nossa dor – que parecia interminável – em razão da enfermidade do Josemar: 120 dias de UTI, acometido de uma meningite bacteriana que o deixou sequelado, com dificuldades respiratórias e mais outras complicações.

Todos os dias íamos ao hospital semear nossas lágrimas. Havia três possibilidades: 1) Josemar ser curado; 2) Josemar partir para a eternidade; 3) Josemar permanecer o resto da vida sobre um leito, sem falar, sem enxergar, sem se movimentar, talvez apenas ouvindo… Nossa casa seria uma extensão da UTI.

Pois bem, no último domingo (12) minha sogra orou assism: “Senhor, por teu amor a nós e a ele, livra meu filho deste sofrimento”. Por volta das 19h, Deus recolheu Josemar. Foi a noite mais longa. Diante do caixão, a madrugada inteira, minha sogra, eu, meu bem e meu sogro estivemos ali, abatidos pela saudade, mas sem sofrimento. Entendemos que Deus não deixou de ser Deus por não ter curado, antes, fez o que lhe pareceu bem.

Na manhã de segunda-feira, chegaram Javan, Jeisa, Jesi e Netinho, acompanhados de Vânia, Márcio, Nayara e Damares, e ainda dos pequenos Miguel, Micael e Isabele. Choramos juntos. De saudade, não de tristeza. Sepultamos Josemar debaixo de uma chuva torrencial. Uma tempestade.

Louvo a Deus por tudo. Louvo a Deus pelas pessoas maravilhosas que ele nos deu para consolo. Louvo a Deus pela Igreja que está sob nossa responsabilidade. Vi, neste dia, como é precioso estar junto aos irmãos. A igreja estava ali, ao nosso lado, chorando conosco. Mesmo debaixo de chuva, ali estavam os irmãos e os amigos num cortejo choroso…

Deus pôs um ponto final nesta fase da nossa história. A dor ainda está ativa, mas vai passar. A saudade vai permanecer. Em Cristo nos refugiamos, e nEle descansamos. Ele é o sol que brilha nesta dia que está nascendo. Foi-se a noite.





A DIVERSIDADE GERA O PODER

13 11 2010

Nasci num lar pobre. Meu pai era pastor, faleceu aos 36 anos, quando eu tinha 1 mês de vida. Fui criado junto aos meus 7 irmãos e minha mãe, sozinha, debruçou-se sobre o tanque de roupas para sustentar a filharada, a mais velha de 11 anos.

Jesiana, minha esposa, nasceu numa família de classe média. Foi educada com capricho, roupinhas de cassa, bordadas artesanalmente, escola particular, brinquedos e quarto próprio. Teve festa de aniversário desde o primeiro ano de vida. Na igreja, a família do “Zé de Brito”, meu sogro, era considerada gente rica.

Há uma distância cultural entre mim e minha esposa. Não seria para menos, diante do contexto em que fomos criados. Eu gosto de literatura, Jesiana gosta de música. Eu me dedico à pregação, Jesiana aos cânticos. Eu gosto de dormir cedo, Jesiana é noctívaga. Eu gosto de churrasco, Jesiana de massa. Como poderíamos construir juntos um lar sendo tão diferentes um do outro?

É neste palco que a unidade se manifesta. A unidade não carece de igualdade, mas de visão. Somos bem diferentes, mas vemos a mesma coisa. O oposto da unidade é a divisão, cujo prefixo sugere mais de uma visão. Então, se enxergamos a mesma coisa, aí teremos unidade.

Sei que parece simplista relacionar a unidade à visão e finalizar o raciocínio. Mas, creio que em um lar onde o casal vê da mesma maneira certamente haverá harmonia nesta relação.

Unidade não é apenas um relacionamento; unidade não é uniformidade; na família, a unidade não é a ausência das variedades. A unidade no lar é o compromisso e a submissão a uma visão comum. Os diferentes se unem para gerar poder e desenvolver o propósito comum da família.

A diversidade é que gera o poder, desde que seja abastecida pelo mesmo propósito. Isto sugere que duas coisas iguais não podem produzir força. Antes, a unidade se manifesta quando somos diferentes e nos submetemos a uma causa que é maior que nossa ambição pessoal.

A família acaba quando a unidade é perdida.

Quando a visão é maior que nosso medo, somos capazes de abrir mão de algumas de nossas preferências em nome do propósito maior. Mas não é preciso anular as diferenças. Podemos sim, potencializar nossas diferenças e canalizá-las para o cumprimento do propósito. Isto é unidade.

Louvo a Deus todos os dias pela diversidade. Isto foi fundamental para meu ministério: enquanto eu prego, minha esposa canta. Na igreja, isto resulta em muito poder. Na vida pessoal, podemos variar sempre nosso cardápio, seja em casa ou num restaurante. Aprendi a gostar de salada. Aprendi a aproveitar mais a noite. Nossas diferenças me ensinaram o poder da unidade.

 





QUANTO FALTA PARA ACABAR A NOITE?

12 11 2010

Faço coro com a gente de Dumá perguntando ao sentinela: “guarda, quanto falta para acabar esta noite?” (Is 21.11).

Dumá significa silêncio.

Parece que Deus fica em silêncio, em determinadas circunstâncias. A noite vem e sua negritude eterniza…

Há 90 dias a enfermidade de Josemar nos faz inquirir: até quando?

Como Habacuque, que também questionou o silêncio de Deus, ficamos como que em reticências… Esperamos, sim, confiantes de que “o que há de vir virá, e não tardará”. Enquanto esperamos, damos ritmo à vida. Mas não é tão simples assim.

Minha sogra Maruza é minha inspiração. Olhando para ela vejo a grandeza de um Deus que fala no silêncio. Minha sogra sempre meiga administra a dor de ver seu filho no leito de uma UTI por tanto tempo, e vence cada dia com sua ótica peculiar: “em tudo vejo Deus”, diz ela.

Basta a cada dia o seu mal. Vamos vencendo, matando os gigantes nossos de cada tarde, orando e buscando compreender as razões porque uma noite parece tão longa…

Guarda, falta muito tempo? Pergunto eu. “Logo chega o dia”, diz-me ele. E outra noite também virá, trazendo em sua escuridão novos desafios com os quais construímos nossa vida.

 





JOSEMAR

20 10 2010

Josemar é irmão de Jesiana, “meu bem”. Está há mais de 60 dias na UTI, no Hospital Municipal de Urgências, em Guarulhos.

Na visita de hoje, eu e Maruza, minha sogra, mais uma vez semeamos ante o leito, com dor na alma e uma singela certeza de que a cada dia aprendemos alguma verdade sobre a vida, sobre a família, o relacionamento, o amor, a oração, a fé, Deus. Estes dias tem sido de muita aprendizagem.

O médico plantonista de hoje me disse que cada semana de Josemar no hospital custa uma monta de dinheiro que nem mesmo o salário acumulado de um ano (do próprio médico) consegue cobrir. Isso me levou a outros questionamentos, na conversa no hospital. Versamos sobre saúde pública, sobre prevenção de doenças, sobre o sofrimento…

Pois bem, Josemar me deu acesso a uma realidade que foge à consciência de muitos. Todos os internados na UTI daquele hospital, exceto os casos de acidentes graves, são vítimas do cigarro, da bebida ou de outras drogas. Pelo menos 8 pessoas que estavam ao lado de Josemar já partiram à eternidade, ao longo destes 60 dias.

Josemar resiste. Talvez não por muito tempo, mas pelo tempo suficiente para aprendermos mais. Não perdi a referência de um milagre, pois sei que Deus pode fazê-lo a qualquer momento, mas reverbero as expectativas médicas. Enquanto o dilema persiste, permito-me aprender ainda mais todas as lições que a UTI me oferece, sejam elas emocionais, espirituais ou sociais. Isto é transformar a adversidade em oportunidade.

Deus nos abençoe.





CONFERÊNCIA DA FAMÍLIA

9 10 2010

Tivemos dias de edificação familiar. Recebemos, em nossa igreja, os irmãos JHONATA SOUZA, JOSUÉ BRANDÃO, JOCYMAR FONSECA e o ministério de Louvor ALIANÇA DO TABERNÁCULO. Foi a segunda Conferência Em Favor da Família que realizamos em nossa igreja, três meses depois de ter realizado a primeira.

Nossa preocupação com a família continua sendo pauta de nossa programação. Estamos orando, agindo e colaborando. A cada dia, nosso povo vai se fortalecendo e vejo claramente a chancela de nosso Deus para nossas atividades.

Abaixo, seguem algumas imagens deste segundo encontro:





NÃO PERCA!

2 10 2010

clique na imagem para ampliar

veja o vídeo:





EM FAVOR DA FAMÍLIA

23 09 2010




A COROA DE ZÉ

7 09 2010

Meu sogro está em estado de graça. Parece ter sido trasladado em suas emoçoes desde o último sábado, quando celebrou o aniversário da Banda da qual é maestro.

A festa foi realmente linda. Creio que Deus coroou o ministério de Zé Brito, acenando para o fim de sua caminhada nesta tarefa musical. Foi um presente.

Zé me disse que nunca sentiu tanta alegria espiritual. Em contraste com sua luta, como postei anteriormente, meu sogro teve uma catarse. Cada execução da banda – que ele mesmo regia – ou da orquestra convidada para a celebração, meu sogro deixava-se levar pela emoção, chorava, vibrava, exultava. Era preciso.

Hoje ele ainda está respirando o evento. Por vezes, oscila entre a dor e a alegria, cujo trajeto se faz com a mesma dinâmica das músicas que foram apresentadas na festa. Forte, em dado momento, destacado, em outro, “pianno” em outro ainda.

Nestes dias em que convivi na companhia de meu sogro, senti uma bela sinfonia ser liberada de seu coração. Uma simplicidade beirando à ingenuidade, uma leveza e um toque de gozo no meio de sua angústia parece dar o tom da harmonia.

Oro hoje, oro por ele. Oro para que meu sogro administre bem estes momentos. Quero vê-lo com a mesma força ao lado de minha sogrinha – que acompanha de perto o coma de Josemar. Quinta que vem estaremos todos juntos: Zé, Maruza, eu e meu bem. Estaremos em Guarulhos, e juntos vamos fazer coro para que o entusiasmo de meu sogro do último fim de semana seja ainda tão vibrante que nos permita encarar mais este desafio de enfermidade com a batuta de um maestro que comanda bem a peça.

Deus nos ajude.





EI, MOÇO!

31 08 2010

Deus não tem um arquivo de almas no Céu. Antes, ele cria cada uma para cada pessoa. Por isso, devo dizer que toda alma é especial, pois é única.

Mas devo reconhecer que há pessoas que parecem ter sido carimbadas com um toque de singularidade, que as tira do lugar comum, da mediocridade. Isso mesmo. Há gente medíocre – aquelas que são iguais à maioria, portanto estão sempre na média – e há gente relevante: aquelas que estão sempre marcando seu espaço como pessoas que fazem diferença, que não estão sobrando.

Meu sogro! Sim, este homem raro. Está com seus 72 anos e parece ter descoberto a vida agora. Tal é o seu entusiasmo, sua dedicação, sua coragem, seu comprometimento. Meu sogro!

José de Brito (Zé Brito – para os íntimos) é maestro de uma pequena banda filarmônica na Bahia. A banda comemora seu aniversário de 40 anos neste final de semana. Meu sogro está preparando uma linda festa.

Dedicou-se há pelo menos um ano para viver este momento solene. Aí, nos últimos dias de preparação, recebeu a notícia – que eu mesmo dei, diga-se de passagem – que seu filho mais velho fora acometido de uma meningite bacteriana, sendo conduzido ao hospital em estado grave. Coma profundo.

Pois é. Meu sogro teria todas as razões para parar tudo! Teria todos os argumentos para cancelar a festa, ficar à mercê da enfermidade do filho. Seria compreendido, sem dúvidas.

Mas Zé Brito é especial. Ele tem uma visão diferente das coisas. Ele reconhece a gravidade da doença de Josemar, ora todos os dias, chora pelo filho, pede oração a outros. Mas, enquanto espera o milagre, não perde o ânimo: continua de vento em polpa, preparando a belíssima festa. Este é meu sogro!

Pensar nele me constrange. Ele me mostra que a verdadeira fé é esta que não se rende, não se entrega, não se curva diante do obstáculo, por mais intransponível que pareça ser. A fé do meu sogro é a que lhe dá força, ousadia e disposição para continuar com o mesmo entusiasmo nos preparativos de uma festa.

Alguém diria: ele deve ser insensível ao sofrimento do filho. Engano. Ele também sofre. Mas, a despeito da dor, olha para o exemplo máximo de Jesus – que foi capaz de preparar uma ceia de celebração na véspera de sua morte. Jesus via as coisas com outros olhos. Meu sogro também.








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