
Meu filho de 10 anos começa a estudar o corpo humano neste bimestre. Empolgado com seu novo livro de ciências, fez questão de me mostrar página a página. Parou, admirado, no último capítulo – que fala sobre a reprodução humana.
Ele me mostrou as imagens de um embrião e se interessou em saber como nasce uma criança. Confesso que não pensei que ainda era a hora de falar sobre este assunto, mas a situação me exige. Preferi perguntar a ele: como você acha que este embrião começou a se desenvolver? Você sabe o processo inicial? Como o útero recebeu o embrião?
Eu preferi ouvir apenas a primeira resposta – uma negativa, pois ainda (creio!) ele desconhece o modo como o embrião se forma. Então, como estávamos quase saindo para um compromisso, resolvi adiar por um tempo o assunto. Mas não será por muitos dias, pois quero que ele chegue a esta aula já com um prévio entendimento.
O fato me fez pensar nos desafios que os pais têm para educar os filhos atentando-se para seus princípios e valores. Uma hora todos teremos que ser francos com nossos pequenos, para que eles não tenham que aprender com os “coleguinhas”. Muitos dos nossos jovens e adolescentes, mormente os que são filhos de crentes, acabam por terem uma sexualidade turbulenta em razão dos tabus que os pais criam para falar sobre certos assuntos.
As vezes, somos surpreendidos pelos nossos filhos. Um garoto de 9 anos, filho de uma amiga, deixou seus pais extasiados. Eles falavam sobre a gravidez indesejada de uma secretária, quando o moleque afirmou: “ela é boba! se fosse eu teria usado camisinha!”.
A mãe, surpresa, perguntou: onde você ouviu falar disso, menino? E a resposta: “Ora, mãe!”
O fato acima parece provocar em nós, pais, uma certa inquietação. Quando devemos iniciar uma conversa sobre estes assuntos com nossos filhos? Quando eles estarão preparados?
Penso que qualquer coisa pode ser dita a qualquer momento, desde que saibamos como dizer. Minha maior preocupação não se detém no QUANDO falar, mas na FORMA de falar.
O silêncio sobre isso certamente é pior. Atendi já alguns rapazes que me procuram para tirar dúvidas sobre a sexualidade. Alguns já com seus 19, 20 anos, e que nunca tocaram neste assunto com os pais. Outro dia aconselhei a um jovem de 27 anos que trazia consigo uma grande aflição, pois, sempre tolhido em seus impulsos, acabou por desenvolver certa apreciação por si mesmo. Consequentemente, desenvolveu uma tendência homossexual. Perguntei: algum dia você falou sobre isso com seus pais? Diante da resposta negativa, o jovem apenas disse que seu tio o explorara na adolescência e esta foi a única “orientação” que ele recebeu…
Sei que nem todos os jovens que não tiveram acesso as informações sobre a sexualidade quando dos seus dilemas e dúvidas trazem conflitos nesta área. No entanto, sei também que aqueles que trazem algum conflito tem um histórico de silêncio sobre o assunto – principalmente na adolescência ou pré-adolescência.
Quero meus filhos sadios quanto a sua sexualidade. Quero que eles levem sempre os princípios que norteiam nossa vida sexual para que eles não tenham que resolver seus dilemas pela promiscuidade ou pela desorientação.
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