O QUE O CASAMENTO ANUNCIA

17 02 2012

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Diante de uma cerimônia de casamento entrego-me ao espanto. Não um espanto negativo, como se estivesse assustado pelo que vejo, mas o espanto no sentido do temor e da reverência que dispenso ao ato.

Acredito na instituição do casamento, acredito no poder que emana dela. Quando os noivos se convencem de que devem levar a sério a aliança e se permitem ao casamento, eles proclamam algumas verdades dignas de honra: para a sociedade, para si mesmos e para Deus.

Primeiro, anunciam para a sociedade o valor do casamento como ato inaugural de uma família. Eles tornam público o desejo de construir uma relação familiar e oferecem à sociedade mais uma coluna para sustentação do sistema, para a manutenção do ciclo que perpetua a vida.

Segundo, eles dizem a si – diante dos outros – que o sentimento que os levou ao altar é o fundamento de que precisam para dar continuidade à caminhada a dois. O casamento alimenta o amor – e as demais sensações dele oriundas.

Por fim, e não menos importante, é a proclamação espiritual que o casamento faz, como um “ato profético”. É que a Bíblia sugere que o arrebatamento da igreja – quando Cristo Jesus vier em glória para o estabelecimento do Reino Eterno – é comparado a um casamento. Portanto, a bíblia começa com um casamento (Adão e Eva) e termina com outro casamento (Cristo e a Igreja). Quando os noivos se posicionam no altar, eles estão apontando para o Grande Dia do Senhor, o que faz da aliança matrimonial a mais sugestiva união.

São estas as razões que me fazem reconhecer o valor da aliança, o peso da responsabilidade – do casal e do ministro – e a glória que há no casamento.





GUERRA TOLA

28 10 2011

Essa batalha entre heterossexuais e homossexuais ativistas parece que não vai acabar tão cedo. De um lado, os ativistas “hetero” ostentam valores cristãos para combater os ativistas “homo”. Do outro lado, os “homo” abestalham todo argumento contra eles e acusam qualquer opinião como sendo homofóbica.

Já disse aqui, em outro momento, que os ativistas gays que associam  à homofobia qualquer posição contrária ao homossexualismo são rudes e estúpidos. Afinal, ser contra a prática do homossexualismo não configura homofobia. Esta reside na prática intolerante e agressiva contra os homossexuais, ou mesmo na discriminação pública que exponha os gays ao desprezo. Assim, há que se qualificar a homofobia para que os ativistas gays não saiam por aí com espada à mão condenando todo cristão que se mostre contrário ao homossexualismo.

Pois bem, também considero rude certo comportamento dos ativistas “hetero”. Por exemplo, levantar uma bandeira política contra o casamento gay é a clara demonstração de ignorância. É que um casamento entre pessoas do mesmo sexo NUNCA SERÁ POSSÍVEL, ainda que haja leis que o promovam. Explico: o conceito de casamento é o do estabelecimento de uma unidade por pares opostos. Assim, pares iguais poderão ter um relacionamento, mas nunca uma unidade, consequentemente não haverá casamento entre estes.

Será que uma lei poderia mudar isso? Jamais! O que uma lei pode fazer é garantir aos pares homossexuais (não ouso chamar estes pares de “casais”) os direitos que são assegurados aos CASAIS (estes, legitimamente, configurados entre sexo oposto). Isto sugere que a guerra se situa em outro campo – o do direito – não no campo da sexualidade.

Sei, porém, que toda esta confusão reserva em si um apelo político, finalizada mais na celeuma do que no direito, em si. Para os “homo” isso é muito bom, pois provoca no seio social o incômodo escrachado, fazendo vir à luz a repulsa que era latente em todo “hetero”. Os gays “adoooooram” um escândalo! Para os “homo”, este litígio lhes promove de alguma forma. Pelo menos, alguns anônimos ganham fama quando arvoram a bandeira “anti-gay”, mesmo que não tenham qualquer opinião clara sobre isto, a não ser o quinhão religioso. Que o digam o YouTube e outros blogs virais da internet.





MINHA PEQUENA KANDY

31 08 2011

Minha pequena é doce e inteligente
Com seu imaginário rico e divergente
Ouve com o coração o que nem sempre
Um grande poeta teria em mente

Minha pequena Kandy em graça traduz
O que o passarinho canta e inspira
Em palavras simples me produz:
“O passarinho sabe a música ZicZira”

Minha pequena chega hoje aos sete
Em casa destila sua alegria e singeleza
Cria, encanta, chora e ri

Com sua herança inspiradora e beleza
Faz o “palco” de seu mundo se abrir
Para o universo desta encantadora princesa.





QUANDO FALAR?

24 08 2011

Meu filho de 10 anos começa a estudar o corpo humano neste bimestre. Empolgado com seu novo livro de ciências, fez questão de me mostrar página a página. Parou, admirado, no último capítulo – que fala sobre a reprodução humana.

Ele me mostrou as imagens de um embrião e se interessou em saber como nasce uma criança. Confesso que não pensei que ainda era a hora de falar sobre este assunto, mas a situação me exige. Preferi perguntar a ele: como você acha que este embrião começou a se desenvolver? Você sabe o processo inicial? Como o útero recebeu o embrião?

Eu preferi ouvir apenas a primeira resposta – uma negativa, pois ainda (creio!) ele desconhece o modo como o embrião se forma. Então, como estávamos quase saindo para um compromisso, resolvi adiar por um tempo o assunto. Mas não será por muitos dias, pois quero que ele chegue a esta aula já com um prévio entendimento.

O fato me fez pensar nos desafios que os pais têm para educar os filhos atentando-se para seus princípios e valores. Uma hora todos teremos que ser francos com nossos pequenos, para que eles não tenham que aprender com os “coleguinhas”. Muitos dos nossos jovens e adolescentes, mormente os que são filhos de crentes, acabam por terem uma sexualidade turbulenta em razão dos tabus que os pais criam para falar sobre certos assuntos.

As vezes, somos surpreendidos pelos nossos filhos. Um garoto de 9 anos, filho de uma amiga, deixou seus pais extasiados. Eles falavam sobre a gravidez indesejada de uma secretária, quando o moleque afirmou: “ela é boba! se fosse eu teria usado camisinha!”.
A mãe, surpresa, perguntou: onde você ouviu falar disso, menino? E a resposta: “Ora, mãe!”

O fato acima parece provocar em nós, pais, uma certa inquietação. Quando devemos iniciar uma conversa sobre estes assuntos com nossos filhos? Quando eles estarão preparados?

Penso que qualquer coisa pode ser dita a qualquer momento, desde que saibamos como dizer. Minha maior preocupação não se detém no QUANDO falar, mas na FORMA de falar.

O silêncio sobre isso certamente é pior. Atendi já alguns rapazes que me procuram para tirar dúvidas sobre a sexualidade. Alguns já com seus 19, 20 anos, e que nunca tocaram neste assunto com os pais. Outro dia aconselhei a um jovem de 27 anos que trazia consigo uma grande aflição, pois, sempre tolhido em seus impulsos, acabou por desenvolver certa apreciação por si mesmo. Consequentemente, desenvolveu uma tendência homossexual. Perguntei: algum dia você falou sobre isso com seus pais? Diante da resposta negativa, o jovem apenas disse que seu tio o explorara na adolescência e esta foi a única “orientação” que ele recebeu…
Sei que nem todos os jovens que não tiveram acesso as informações sobre a sexualidade quando dos seus dilemas e dúvidas trazem conflitos nesta área. No entanto, sei também que aqueles que trazem algum conflito tem um histórico de silêncio sobre o assunto – principalmente na adolescência ou pré-adolescência.

Quero meus filhos sadios quanto a sua sexualidade. Quero que eles levem sempre os princípios que norteiam nossa vida sexual para que eles não tenham que resolver seus dilemas pela promiscuidade ou pela desorientação.





MINHA JESIANA

12 06 2011


Procuro Palavras
Mas não as encontro
Os adjetivos são parcos
Incapazes de traduzir
O que é este Bem.

Meu Bem, minha mulher,
minha namorada,
nosso amor está acima do discurso
está no gesto mais nobre
da dádiva incondicional
que transita entre o complexo 
e o simples,
como um olhar na madrugada.

Nada poderia ser
como o é em minha vida
Se não tivesse você, minha amada.

Ainda te olho, do jeito que você é
e vejo que não me adiantaria 
palavra que interprete o doce
e o autêntico sentimento
que transcende, inclusive, 
a simples palavra AMOR.

Te amo, Meu Bem,
Feliz neste dia dos namorados! 





SUBINDO JUNTOS

16 05 2011

Algo me impacta em Isaque. O filho jovem de Abraão parecia opaco e passivo diante da proposta de seu pai para juntos subirem ao monte Moriá, onde o rapaz seria oferecido em sacrifício. Isaque poderia dar um drible no pai, e simplesmente se negar a subir.

Mas há algo muito impressionante no comportamento do filho. Ele fora contagiado pela fé de Abraão. Isaque sabia exatamente o que significava obedecer a Deus, o que significava levantar sacrifícios, o que significava servir ao Senhor Soberano. Ou seja, Abraão já havia incutido em Isaque o temor que faz alguém se render incondicionalmente à vontade de Deus.

Subiram juntos! O pai exercia influência importante sobre o filho. Abraão não precisou argumentar muito com Isaque, pois o rapaz já trazia em sua história a referência de um pai temente a Deus.

Pergunto-me: que tipo de pai sou?

Tenho orado para que meus filhos possam ser também contagiados pela fé que tenho. Trago este exemplo de minha mãe (já que não conheci ao meu pai que falecera quando do meu nascimento), que nunca negou seu amor ao Senhor. A despeito do sofrimento, da dor, da escassez, vi nesta mulher o exemplo de fé que ficou impregnado em meu coração. Isso certamente me inspirou para o serviço que presto até hoje ao meu Deus.

Quero ser como Abraão. Quero ser como minha mãe. Quero poder deixar para meus filhos o exemplo de uma fé que está acima de tudo, de uma fé que nos faz render sem reservas ao nosso Deus. Oro todos os dias para que Kemuel e Kandace vejam em mim esta fé. Quero-os comigo, subindo juntos ao monte do Senhor – não para um sacrifício morto, mas para o sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é nosso culto racional.





“ALÉM DO AMOR NÃO HÁ NADA”

9 05 2011

“O tempo passa? Não passa!” diria o poeta mineiro. Na opinião de Drummond, o coração tem o poder de eternizar certos sentimentos; o amor, escutando o apelo desta eternidade, coloca-se acima do tempo.

Hoje estou olhando por sobre meus ombros e me vejo há 13 anos, bem aqui, pertinho, em frente à pessoa que conseguiu com sua naturalidade e beleza fazer este meu sentimento transcendente assim. Hoje, nos nossos 13 anos de casados, eu vejo “Meu Bem” – quando ainda adolescente – e miro seus olhos marcando o início de algo que se tornaria sem fim. Repito Drummond: “nosso” aniversário é um nascer toda hora.

Sou feliz no amor. “Além do amor não há nada”.

Não preciso escrever muito. Há coisas que não se traduzemem palavras. Apenas quis registrar que o meu amor por minha Jesiana está muito vivo, “…e sempre, e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encanta mais meu pensamento”.

E se eu voltasse no tempo? O tempo para mim ainda é o mesmo, no meu coração. Não precisa voltar. O amor não envelhece. O amor não muda. Se mudar, não é amor.





O DIA RAIOU…

15 12 2010

Há um tempo não postei texto no blog. Houve reclamação dos que me visitam sistematicamente. Peço-lhes perdão.

Quem está mais perto de mim conhece bem o cenário onde eu e minha família atuamos nos últimos meses. Quem lê o blog também, visto que por algumas vezes ressaltei aqui nossa dor – que parecia interminável – em razão da enfermidade do Josemar: 120 dias de UTI, acometido de uma meningite bacteriana que o deixou sequelado, com dificuldades respiratórias e mais outras complicações.

Todos os dias íamos ao hospital semear nossas lágrimas. Havia três possibilidades: 1) Josemar ser curado; 2) Josemar partir para a eternidade; 3) Josemar permanecer o resto da vida sobre um leito, sem falar, sem enxergar, sem se movimentar, talvez apenas ouvindo… Nossa casa seria uma extensão da UTI.

Pois bem, no último domingo (12) minha sogra orou assism: “Senhor, por teu amor a nós e a ele, livra meu filho deste sofrimento”. Por volta das 19h, Deus recolheu Josemar. Foi a noite mais longa. Diante do caixão, a madrugada inteira, minha sogra, eu, meu bem e meu sogro estivemos ali, abatidos pela saudade, mas sem sofrimento. Entendemos que Deus não deixou de ser Deus por não ter curado, antes, fez o que lhe pareceu bem.

Na manhã de segunda-feira, chegaram Javan, Jeisa, Jesi e Netinho, acompanhados de Vânia, Márcio, Nayara e Damares, e ainda dos pequenos Miguel, Micael e Isabele. Choramos juntos. De saudade, não de tristeza. Sepultamos Josemar debaixo de uma chuva torrencial. Uma tempestade.

Louvo a Deus por tudo. Louvo a Deus pelas pessoas maravilhosas que ele nos deu para consolo. Louvo a Deus pela Igreja que está sob nossa responsabilidade. Vi, neste dia, como é precioso estar junto aos irmãos. A igreja estava ali, ao nosso lado, chorando conosco. Mesmo debaixo de chuva, ali estavam os irmãos e os amigos num cortejo choroso…

Deus pôs um ponto final nesta fase da nossa história. A dor ainda está ativa, mas vai passar. A saudade vai permanecer. Em Cristo nos refugiamos, e nEle descansamos. Ele é o sol que brilha nesta dia que está nascendo. Foi-se a noite.





A DIVERSIDADE GERA O PODER

13 11 2010

Nasci num lar pobre. Meu pai era pastor, faleceu aos 36 anos, quando eu tinha 1 mês de vida. Fui criado junto aos meus 7 irmãos e minha mãe, sozinha, debruçou-se sobre o tanque de roupas para sustentar a filharada, a mais velha de 11 anos.

Jesiana, minha esposa, nasceu numa família de classe média. Foi educada com capricho, roupinhas de cassa, bordadas artesanalmente, escola particular, brinquedos e quarto próprio. Teve festa de aniversário desde o primeiro ano de vida. Na igreja, a família do “Zé de Brito”, meu sogro, era considerada gente rica.

Há uma distância cultural entre mim e minha esposa. Não seria para menos, diante do contexto em que fomos criados. Eu gosto de literatura, Jesiana gosta de música. Eu me dedico à pregação, Jesiana aos cânticos. Eu gosto de dormir cedo, Jesiana é noctívaga. Eu gosto de churrasco, Jesiana de massa. Como poderíamos construir juntos um lar sendo tão diferentes um do outro?

É neste palco que a unidade se manifesta. A unidade não carece de igualdade, mas de visão. Somos bem diferentes, mas vemos a mesma coisa. O oposto da unidade é a divisão, cujo prefixo sugere mais de uma visão. Então, se enxergamos a mesma coisa, aí teremos unidade.

Sei que parece simplista relacionar a unidade à visão e finalizar o raciocínio. Mas, creio que em um lar onde o casal vê da mesma maneira certamente haverá harmonia nesta relação.

Unidade não é apenas um relacionamento; unidade não é uniformidade; na família, a unidade não é a ausência das variedades. A unidade no lar é o compromisso e a submissão a uma visão comum. Os diferentes se unem para gerar poder e desenvolver o propósito comum da família.

A diversidade é que gera o poder, desde que seja abastecida pelo mesmo propósito. Isto sugere que duas coisas iguais não podem produzir força. Antes, a unidade se manifesta quando somos diferentes e nos submetemos a uma causa que é maior que nossa ambição pessoal.

A família acaba quando a unidade é perdida.

Quando a visão é maior que nosso medo, somos capazes de abrir mão de algumas de nossas preferências em nome do propósito maior. Mas não é preciso anular as diferenças. Podemos sim, potencializar nossas diferenças e canalizá-las para o cumprimento do propósito. Isto é unidade.

Louvo a Deus todos os dias pela diversidade. Isto foi fundamental para meu ministério: enquanto eu prego, minha esposa canta. Na igreja, isto resulta em muito poder. Na vida pessoal, podemos variar sempre nosso cardápio, seja em casa ou num restaurante. Aprendi a gostar de salada. Aprendi a aproveitar mais a noite. Nossas diferenças me ensinaram o poder da unidade.

 





QUANTO FALTA PARA ACABAR A NOITE?

12 11 2010

Faço coro com a gente de Dumá perguntando ao sentinela: “guarda, quanto falta para acabar esta noite?” (Is 21.11).

Dumá significa silêncio.

Parece que Deus fica em silêncio, em determinadas circunstâncias. A noite vem e sua negritude eterniza…

Há 90 dias a enfermidade de Josemar nos faz inquirir: até quando?

Como Habacuque, que também questionou o silêncio de Deus, ficamos como que em reticências… Esperamos, sim, confiantes de que “o que há de vir virá, e não tardará”. Enquanto esperamos, damos ritmo à vida. Mas não é tão simples assim.

Minha sogra Maruza é minha inspiração. Olhando para ela vejo a grandeza de um Deus que fala no silêncio. Minha sogra sempre meiga administra a dor de ver seu filho no leito de uma UTI por tanto tempo, e vence cada dia com sua ótica peculiar: “em tudo vejo Deus”, diz ela.

Basta a cada dia o seu mal. Vamos vencendo, matando os gigantes nossos de cada tarde, orando e buscando compreender as razões porque uma noite parece tão longa…

Guarda, falta muito tempo? Pergunto eu. “Logo chega o dia”, diz-me ele. E outra noite também virá, trazendo em sua escuridão novos desafios com os quais construímos nossa vida.

 








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