Missão

14 09 2011

Seja feita a tua vontade assim
Na terra como no céu
E se essa vontade passa por mim
Que eu negue meu próprio eu

Tua vontade boa e perfeita é
Agradável se faz em cumprir
Por quem a Ti se render
E com ciso e disposto assumir

Se vires que sou empecilho
Por minha vontade audaz
Permito que irrompas meu brilho
Me chames pra que sou capaz

Tratado e disposto estou
A ser remetido em missão
E ser porta-voz do Eu Sou
Entregue ao mandado de irmão

Cumprir meu chamado de paz
Num mundo hostil e veraz
Me faz entender a bondade
Do Deus que expõe sua vontade
E entrega sua gloria decente
Ao mundo a que busca somente.





…HERODES MUITO SE ALEGROU…

2 08 2011

A leitura do texto de Lucas 23.8-11 me fez pensar que se tratava de algum personagem de nossa geração. Mas era um relato sobre Herodes Antipas.

Este governante da Galiléia, quando do julgamento de Jesus, ficou muito feliz por encontrar nosso Mestre – pois há muito desejava vê-lo, esperando algum sinal feito por ele.

Pensando superficialmente, Herodes demonstra um comportamento digno de um crente: quem não se alegraria em ver Jesus? Quem não gostaria de ver seus sinais? Quem não gostaria de tirar suas dúvidas fazendo-lhe perguntas?

Pois bem, a bíblia acusa a motivação de Herodes: sua alegria era provocada por motivos nada louváveis. Sua “busca” por Jesus era apenas para satisfazer sua curiosidade, talvez para – como bom personalista que era – comentar entre os seus sobre sua sagacidade diante do nosso Senhor.

Herodes estava apenas interessado no espetáculo. Ele olhava para Jesus como um mero ator, um mágico, um ilusionista… Bem que um espetáculo de cura seria um belo entretenimento!

Herodes bombardeou com perguntas. Muitas perguntas. Mas Jesus nada respondeu. E Herodes, desapontado, desprezou a Jesus.

Como disse antes, Herodes é a caricatura de alguns crentes. Muitos de nós estamos interessados apenas no espetáculo. Como gostamos dos eventos de cura, dos milagres, dos movimentos! Gostamos disso e buscamos a Jesus apenas pelos seus “preciosos” feitos, e não pelo que Ele é. As igrejas que apelam por esta marca estão lotadas, nem mesmo cabem mais de gente. Imagino Jesus diante deste povo sem escrúpulo, atraído pelo pão que perece, pelo teatro ritualístico de alguns pastores.

Estes crentes herodianos estão prontos para desprezar o Mestre, caso Ele não satisfaça seus anseios. Nós nos decepcionamos com a mesma rapidez que nos alegramos. Muitos, movidos pelo desapontamento, já despediram o Senhor, pois Jesus nem sempre faz o que queremos.

Deus tenha piedade de nós!





ADÃO, ONDE ESTÁS?

30 05 2011

Adão havia se escondido de Deus por causa do pecado.

Também somos assim. Nos escondemos quando pecamos.

Nos escondemos em nossas justificativas, criamos algumas barreiras e tentamos coser nossas “vestes de justiça” que nós mesmos inventamos.

No seu esconderijo, ingenuamente Adão achava-se capaz de não ser visto por Deus.

Adão temera a voz de Deus? Não somente! Adão temera o próprio Deus. Sua consciência o acusava de seu pecado, e, como todos nós pensamos, Adão acreditava que aquela infração iria diminuir o amor de Deus por ele.

Deus o chamou: Adão, onde estas?

Deus já sabia onde Adão estava, mas instou para que sua criatura soubesse outras verdades que ainda não lhes eram ciente. O fruto do conhecimento não fora capaz de revelar a Adão o tamanho do amor de Deus. Por isso, o Pai se apresenta e lhe chama.

Interpreto o chamado de Deus. Quando “procura” por Adão, Deus lhe afirma: seu pecado não diminuiu Meu amor por você, filho! Nada que você faça será capaz de diminuir ou aumentar meu amor. Continuo velando por ti.

Deus não desistiu de Adão. Mesmo que o pecado tenha contaminado a raça humana, a terra e toda a descendência, Deus pregou o evangelho para Adão. O proto-evangelho, obviamente. Anunciou a vinda do Messias, acenou para a morte como caminho da vida e deu ao homem a esperança de que em Cristo podemos ter nossos pecados lavados, tornando-se mais brancos que a pura lã.

Não precisamos nos esconder. Temos em Deus nossa refúgio, nossa segurança e certeza de que já providenciara Seu plano maravilhoso para nos resgatar e nos fazer participantes de Sua natureza. Deus não desiste de nós. Amém.





SUBINDO JUNTOS

16 05 2011

Algo me impacta em Isaque. O filho jovem de Abraão parecia opaco e passivo diante da proposta de seu pai para juntos subirem ao monte Moriá, onde o rapaz seria oferecido em sacrifício. Isaque poderia dar um drible no pai, e simplesmente se negar a subir.

Mas há algo muito impressionante no comportamento do filho. Ele fora contagiado pela fé de Abraão. Isaque sabia exatamente o que significava obedecer a Deus, o que significava levantar sacrifícios, o que significava servir ao Senhor Soberano. Ou seja, Abraão já havia incutido em Isaque o temor que faz alguém se render incondicionalmente à vontade de Deus.

Subiram juntos! O pai exercia influência importante sobre o filho. Abraão não precisou argumentar muito com Isaque, pois o rapaz já trazia em sua história a referência de um pai temente a Deus.

Pergunto-me: que tipo de pai sou?

Tenho orado para que meus filhos possam ser também contagiados pela fé que tenho. Trago este exemplo de minha mãe (já que não conheci ao meu pai que falecera quando do meu nascimento), que nunca negou seu amor ao Senhor. A despeito do sofrimento, da dor, da escassez, vi nesta mulher o exemplo de fé que ficou impregnado em meu coração. Isso certamente me inspirou para o serviço que presto até hoje ao meu Deus.

Quero ser como Abraão. Quero ser como minha mãe. Quero poder deixar para meus filhos o exemplo de uma fé que está acima de tudo, de uma fé que nos faz render sem reservas ao nosso Deus. Oro todos os dias para que Kemuel e Kandace vejam em mim esta fé. Quero-os comigo, subindo juntos ao monte do Senhor – não para um sacrifício morto, mas para o sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é nosso culto racional.





ORFANDADE?

13 05 2011

A orfandade tem sua relevância seja para a sociologia, seja para a psicologia. A orfandade tem relevância para mim, enquanto pessoa. Fui órfão. Meu pai morreu quando eu tinha um mês de idade. Minha orfandade teve fim quando me tornei responsável por mim mesmo.

Todos temos medo de ficarmos órfãos.

Desde o nascimento, quando o bebê se sente “abandonado” pelo útero, chora seu desespero por se sentir “órfão”. E, ainda na sala de parto, é posto no colo da mãe e estabelece, ali, um novo sentimento de proteção, carinho e acolhimento. Não se sente mais órfão.

Jesus sabia que sua morte e posterior ascensão causaria nos seus discípulos um sentimento doloroso de abandono e orfandade. Sabia que aqueles que caminhavam de volta para Emaús levariam em seus corações o desprezo, a frustração da ausência e do silêncio de Deus em sua caminhada. Por isso, Jesus os acompanhou.

Em seu discurso de “despedida”, Jesus assertivou: não vos deixarei órfãos, voltarei para vós.

Não há orfandade para os que receberam a Cristo. Seu Espírito nos alimenta com Sua presença contínua, com seu amor, com sua graça e sua proteção. Não estamos sozinhos. Jesus é o Emanuel – Deus Conosco! Não apenas conosco, mas EM nós. Essa é a glória do Espírito – de trazer Deus em vida para nosso espírito, a fim de que não nos sintamos órfãos. Parousia.





NOVO TEMPLO

2 05 2011

Numa visita ao templo, Jesus esbravejou. Diante dos vendilhões, daqueles que faziam negócio no lugar onde Deus deveria ser encontrado, Jesus virou a mesa. Deixou-nos o Mestre algumas importantes lições:

Primeiro, Jesus mostra sua indignação quando alguém se vale da religiosidade para tirar dela seus lucros. O templo era o lugar que inspirava a religiosidade. Era, por assim dizer, o sinônimo da religião. Em sua finalidade, como diria Salomão, o Templo era o lugar que conteria a grandeza de Deus. No entanto, quem ali entrasse não veria a Deus, e sim, os vendilhões, o comércio…

Segundo, Jesus revela certo desdém para com o valor que os religiosos davam ao templo. Ele sabia que “não ficaria pedra sobre pedra”. Enquanto muitos se iludiam apreciando o Templo e sua beleza, e para lá fazendo suas procissões em dias de festa, Jesus preferia ir ao encontro dos doentes no tanque de Betesda.

Jesus estava dizendo, em ações, que era necessário os discípulos entenderem a realidade de um novo templo – o homem. Em Jesus, Deus estava plenamente encorporado. Em Jesus, Deus sinaliza para a humanidade que o verdadeiro templo não foi erguido por mãos humanas. E o desejo deste Deus é de habitar neste templo/homem, como havia “tabernaculado” em Jesus.

Eis o que incomoda o Senhor: gente que valoriza a aparência, que se importa com o que vai lucrar, que só pensa no negócio. Eis o que faz Jesus virar a mesa: a religiosidade falsa e corrompida dos nossos dias, quando as pessoas usam o nome de Jesus como mais um produto em seus tabuleiros. Eis o que aborrece a Deus: a ausência de uma consciência clara de que somos o templo – o lugar de reconciliação, de encontro entre Deus e o homem, lugar de perdão.





DUAS MULTIDÕES

28 04 2011

A primeira multidão tem à frente a Vida. Jesus caminha pela cidade de Naim, e a multidão o segue. Possivelmente, esta primeira multidão não estava isenta de dores, de sofrimento, calejada pela caminhada, uma multidão comum. No entanto, o diferencial: era guiada pela esperança.

A segunda multidão tem à frente a Morte. Um jovem filho único de uma mulher que já perdera seu esposo era levado ao túmulo, e a multidão que acompanha o cortejo tem a única certeza de que sepultará uma história.

As multidões se encontram. Jesus, a Vida, pára a procissão alegre. Jesus, a Vida, pára também a caminhada fúnebre. Diante da Vida, a Morte se rende.

A segunda multidão acompanha uma mulher que, embora rodeada por muitos, não era vista. Olhada, sim! Vista, não. Há quem nos olhe, mas poucos nos vêem.

Jesus viu a mulher, em cuja dor se perdia. Jesus tem a capacidade de ver o interior da alma que padece em pranto, que padece por assistir ao ponto final de uma vida, de uma história. Jesus viu a mulher, e padeceu com ela. Não lançou uma corda para tirá-la do poço escuro da dor, mas desceu ao profundo para apanhá-la nos braços. Isso é “padecer-com”. Jesus compadeceu-se.

Diante da multidão, Jesus dirigiu uma palavra. Sim, a palavra vem antes do milagre.

A multidão gosta do espetáculo, gosta do milagre, pouco se importa com a Palavra. Mas Jesus deu uma palavra – “Não chores”! Jesus parece insano. Como pode dizer a alguém isto em pleno ato fúnebre?

A palavra de Jesus aponta seu interesse pela pessoa. A palavra de Jesus está provida de ação. Não é uma palavra vazia, solta, frívola – como aquelas que serão julgadas nAquele Dia. A palavra de Jesus é plena, cheia de charisma. Não chores! Diz o Mestre e irrompe o curso da morte.

A multidão fica perplexa. E vê, estupefata, que a Vida tem a autoridade de transformar ponto final em apenas uma vírgula. A vida continua…





QUANDO O DIA AMANHECER…

14 04 2011

Jorão herdara o reino do seu pai Acabe. Os moabitas, que pagavam imposto a Israel, aproveitaram a morte de Acabe para sonegar. Jorão, então, convida o rei de Judá – Jeosafá – e o de Edom para juntos pelejarem contra Mesa – rei de Moabe.

 

Sete dias caminharam pelo deserto, os três reis, até acabar a água. Sedentos, pensavam que morreriam – quem sabe Deus os tivesse levado ali para destruí-los. Não, não foi assim!

 

Eles consultaram o profeta Eliseu. Este, chamando um músico (ao deserto), recebeu o Poder do Espírito enquanto a adoração era executada. Falou por Deus aos reis: cavem valas no deserto, pois elas serão cheias de água. Não sentirão o vento, nem vereis chuva, contudo o vale se encherá, e todos se saciarão.

 

Dito e feito. Ao amanhecer, as águas vieram e encheram a terra.

 

A historia acima revela alguns princípios importantes, quando estamos atravessando o deserto: a) nunca despreze a Palavra – representada pelo profeta – pois somente a Palavra nos dá direção. b) não sufoque a adoração, mesmo que esteja sedendo no deserto – o músico tocava, enquanto descia o Poder. c) Prepare o reservatório, ainda que não haja sinal da bênção. Isso demonstra sua convicção de que Deus vai responder, mesmo que seja sem vento ou chuva! Por fim, d) tenha paciência até o dia raiar. A noite pode parecer longa, em alguns casos, mas o dia sempre vem, trazendo a alegria que inunda a terra.

(mais detalhes desta história: 2 Reis 3)





A VERDADE DO ENGANO

21 03 2011

Para quem gosta de ser aclamado, bem que aquela jovem possessa de espírito adivinho seria uma boa publicidade. Paulo e Silas, em sua missão por Filipos, são seguidos por uma mulher que declara incansavelmente: “Estes homens são Servos do Deus Altíssimo”. Isto ela o faz por muitos dias.

 

Paulo, no entanto, teve o discernimento de que não era a voz de Deus. Expulsou o demônio e gerou um grave problema para si e seus companheiros: foram presos, açoitados, encarcerados. Perto da meia noite, ainda tinham ânimo para cantar louvores a Deus.

 

Penso que muitos de nós somos enganados pelo maligno por não termos o mesmo discernimento. Nem todo mundo que diz uma verdade é, necessariamente, verdadeiro. Uma verdade pode ser dita por um enganador. O próprio Diabo falou verdades quando tentou a Jesus.

 

Nossa geração é facilmente enganada. Há muitas destas “adivinhas” movidas por espírito maligno falando uma ou outra verdade. E enganando a muitos.

 

Tal fato me faz pensar que alguns “reveladores” da nossa época estão motivados pelo mesmo espírito. Creio em revelação, creio em profecias, creio em curas e milagres. No entanto, não vejo razão para isso se tornar elemento de marketing. Quando alguém usa estes “dons” para se projetar, o espírito que está nele não é o de Deus. São discípulos da jovem adivinha.

 

Lamentavelmente, muitos estão sendo levados pelos adivinhos da atualidade. Por falta de discernimento, fazem dessa voz a propaganda de seus ministérios.

 

Cuidado com o que você ouve. Lembre-se: nem sempre uma verdade é dita por quem é verdadeiro.

 





SABEDORIA FEMININA

8 03 2011

Pergunte a um homem o que lhe atrai em uma mulher e imediatamente você perceberá a pequenez da mente masculina. Por causa da limitação desta mente é que Deus fez a mulher. Isso mesmo.

Quero dar um passo à frente e me exibir entre os demais homens. Além de todos os detalhes arrolados no argumento masculino sobre o que lhe atrai na mulher – que normalmente começam no campo da beleza e terminam no mesmo campo – acerto: o que mais me admira na mulher é a sua capacidade de expor a nossa incapacidade.

As mulheres nos expõem a cada dia. Até mesmo as mulheres menos inteligentes sabem bem o que fazer para deixar babando um intelectual. As mulheres são capazes de enxergar com quatro olhos, ouvir com seis ouvidos e pôr em ação todo o mecanismo sensorial de que se aproveitam para fazer o mundo inteiro girar em torno delas. São tão poderosas que fazem os homens trabalharem por elas – e um homem só se sente homem mesmo quando tem uma!

Eu disse que ia dar um passo a frente. Pois bem, já dei: primeiro, por reconhecer a pequenez da mente masculina; segundo, por ter sido capaz o suficiente para atrair para meu lado a mulher que é mãe de meus filhos. Eis aqui meu troféu. Ela autentica minha masculinidade, dá razão à minha agitação e me faz ser quem sou. É o instrumento que Deus pôs ao meu lado para dar senso à música que eu insisto em tocar. Claro que ela é mais inteligente do que eu, mas desse talento não me nego: sei reconhecer onde mora  a inteligência.

No dia internacional da mulher, sou obrigado a me parabenizar – modéstia à parte.








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