
Giorlando Lima foi meu chefe quando dos tempos de TV no interior da Bahia. Recentemente ele publicou em seu blog um texto sobre um encontro inusitado com a atriz global Guta Stresser – a Bebel de “Uma Grande Família”. Aparte o brilhantismo do meu ex-chefe em transformar este encontro em arte, traduzindo suas impressões num belíssimo texto, fiquei bastante surpreso com sua confissão de tietagem. Em seu texto, ele diz: quem não gosta…. Pensei comigo: eu!
Quando trabalhei na TV tive a oportunidade de entrevistar algumas personalidades do mundo das estrelas, a exemplo de Ivete Sangalo, Bel (do Chiclete com Banana), Zeca Baleiro, Geraldo Azevedo, Fernanda Montenegro, Luis Melodia, entre outros. Quando estive em Brasília, num estágio de 30 dias na Globo, fiquei lado a lado com Delis Ortiz, Alexandre Garcia, Eraldo Pereira e outros figurões da TV, isso para não falar nos políticos aos quais vi, falei e entrevistei. Não tenho lembrança se houve algum encantamento quando os conheci.
Hoje, no entanto, rendo-me ao que disse me amigo Giorlando. Todos temos nosso momento de tietagem. E eu mesmo tive o meu.
No embarque de Vitória-ES para São Paulo eu vi, de longe, o David Quinlam – uma referência da música evangélica nacional – e fiquei louco para falar com ele. No entanto, ele estava atendendo a uma criança. Quando terminou de falar ali, teve que se dirigir ao avião. Não falei com ele. Tomei um café e me sentei esperando meu vôo, ainda pensando no David Quinlam. Ao meu lado, fiquei quase extasiado quando vi o Pregador Luo. Não contive minha admiração: “Luo!” E ele respondeu com o mesmo calor, como se já me conhecesse.
Eu gosto do Pregador Luo por causa do meu filho, Kemuel. Ouço quase todos os dias as músicas de Luo, e fico quase sempre cantarolando “Árvore de Bons Frutos”. Em um pequeno e precioso tempo, falei com o Pregador sobre meu filho, sobre minha admiração por ele (Luo), sobre suas músicas e seu conteúdo forte e inquietante, e ele me respondeu com uma simplicidade digna de apreço. Embarcamos no mesmo voo e ganhei dele uma revista Rap Nacional que traz sua foto na capa. Lá no meu canto, já um tanto afastado do rapper, lembrei-me de Giorlando.
Agora, reconhecendo que também sou tiete, acho que minha postura reticente diante de alguns artistas era por mero orgulho. Mas, depois que li Giorlando, cheguei a conclusão que o que tenho mesmo é receio de levar algum esporro, ou de não ser correspondido, ou de pagar algum mico (Giorlando conta que a “Bebel” deu um esporro nele). Ao contrário, o pregador Luo me fez sentir muito bem com sua receptividade tão marcante. E me falou, com seu comportamento, que o fato de alguém fazer parte do mundo da fama não significa que seja inacessível ou que deixou de ser gente.
Acho que agora vou ser mais assertivo e, sempre que tiver oportunidade, ousar me aproximar das figuras que admiro. Quem sabe, entre simpatia e esporro, eu consiga tratar comigo mesmo a reserva exagerada (!?).
Obs. Para quem quiser conhecer o eu ex-chefe: http://blogdegiorlandolima.wordpress.com/
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