Macabéa começou sua vida quando morreu. Sua trágica morte deu visibilidade àquela jovem alagoana que se via como um “cisco” no universo. Macabéa – personagem de Clarice Lispector – teve sua hora de estrela quando foi atropelada por um carro. Somente aí, quando seu desejo de ser estrela de cinema foi realizado, Macabéa diz ter nascido (e não morrido).
Macabéa está por todo lado. Está no desejo escuso de quem quer ser o que não é. Está na estratégia ridícula de “posar” com vestido curtíssimo na universidade para se tornar famosa. Está na fomigerada participação dos “realitys” – que nada têm de “reality” – apenas para “nascer” com estrelismo. Alguns duram apenas segundos, mas são desejados até à morte.
Lispector conseguiu traduzir um desejo sorrateiro. Revelou que em cada um desfigurado brasileiro há algo latente que insta para se tornar famoso. Embora cada um saiba, no íntimo, que não é o que deseja ser, ainda assim se persegue com audácia esse desejo.
Geisy Arruda é Macabéa. Nem percebe que morreu, pensa apenas que nasceu. Está tão morta que tem que se desvestir do corpo que tinha e para “refazer” suas curvas e incorporar a personagem. Este é o problema do estrelismo barato – o real tem que ser asfixiado para que a personagem entre em cena.
Não é assim na vida? Estamos todos cercados de personagens – mitos semelhantes ao “filho do Brasil” – cujo interesse é apenas ser uma estrela que brilha como Macabéa.

Olá Pastor a paz do Senhor Jesus esteja contigo e familia.
Parabéns pela belissima exposição, realmente estamos cercados de personagens que só querem brilhar, não importando se o brilho é fosco ou qual o custo desse brilho.
Viciados em si mesmos.
Amantes do que nunca foram e jamais serão.
Filhos de uma cultura perversa que fere o amor e diminui o ser humano.
Que esse vírus não nos domine.
Bjus