A RELIGIÃO NEGRA

21 11 2009

As homenagens a Zumbi dos Palmares, especialmente as realizadas pela igreja Católica e pelas religiões afro-brasileiras, distanciam o povo brasileiro de um dado curioso: o maior segmento religioso em número de negros no Brasil é o pentecostal.

Há quem diga que a segregação, o preconceito e a pouca oportunidade que os negros têm se ascenderem socialmente são alguns dos motivadores da conversão dos negros ao pentecostalismo. Justificam: o segmento evangélico favorece a ascensão social, dando aos negros condições de se posicionarem como líderes de brancos, ou a frente de um expressivo número de pessoas – o que raramente aconteceria em outros segmentos sociais.

O assunto faz parte da discussão muito coerente de Marco Davi de Oliveira, no livro “A Religião mais Negra do Brasil” (Mundo Cristão, 2004). Segundo o autor, os negros encontram no pentecostalismo uma liturgia mais próxima de sua origem, além da igreja pentecostal “ter chegado mais perto daqueles que eram marcados pelo estigma do desprezo social” (p. 51).

Em se confirmando tal assertiva, dever-se-ia corrigir a ênfase que a Nação dá a outras religiões quando se fala em negritude. A igreja evangélica pentecostal conseguiu atrair para si um numeroso contingente negro, marcando definitivamente o “genoma” evangélico brasileiro.

Na concepção doutrinária pentecostal tal distinção não pode existir; todos são vistos como um só povo, sob governo de um só Senhor, tendo em si um só Espírito. Destarte, segregar uma raça certamente contraria o princípio da Palavra. Somente há uma raça – a humana – considerada na Bíblia, daí porque “seja negro, seja branco”, todos são do mesmo modo um só em Cristo.

Tal posição doutrinária, no entanto, não ofusca a realidade social do número de negros nas igrejas evangélicas. Este dado deve indicar algum valor na pregação evangélica que sinaliza positivamente para a conversão dos negros. Talvez, neste aspecto, valha uma investigação mais apurada que revele ao Governo um dado digno de atenção: os pentecostais são oficialmente a religião negra do Brasil, reivindicando para si o apoio cultural que tem sido desviado para outros segmentos religiosos que se afirmam essencialmente negros.


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6 respostas

16 12 2009
Mauro Gomes

Não vejo descriminação racial no pais, vejo pessoas estimulandas por fins comercias e fomentar a guerra de classes por intersse pessoais ($), entre outros vender Cd´s, DVD, intoroduzir o estrangerismo etc… o pior é que tem pessoas negras que aceitam o ¨ódio comercial entre classes¨ o bom seria ouvirmos Jesus e termos nossas mentes como as criancinhas… a discriminação no sociedade brasileiras é mais ferronha no lado financeiro, negro ou branco se lasca quando é pobre, mais eu me dou por satisfeito se assim pusesse falar por termos no STF um dois maiorais neste pais que se veste de negro e é negro. Não podemos deixar nossos olhos se contaminarem… Deus criou o negro, pardo, o Japones e até o branco. Não podemos esquecer do cotidiano do nordestino e vermos como em SP é franquiada todas as raças, vemos pessoas que fugiram da guerra e se refugiaram neste pais como polonese, alemões ou fugidos da fome e revoluções como os africanos (Angola etc…) Na Av. São Luis / Consolação / Ipiranga você vê judeus, americanos, dinamarqueses falarem sua lingua já no bairro da Liberdade coreanos, chineses e japones, bairro do Bom Retiro hoje coreanos e judeus, Mogi das Cruzes e Foz do Iguassu arabes (islamicos), temos uma colonia gigantes de espanhois e todos estes não chegaram neste pais para montar empresas, lutaram literalmente para ter o seu espaço… meu avó e meu pai só não pediram esmola mas lutaram e não tiveram verbas ou apois do governo como os demais estrageiros naõ tiviram ou seja nunca houve uma verbas federal, estadual ou municipal ou qualquer ajuda para Imigrantes ou migrantes e todos lutaram, já houvi tantas piadinhas de portugues … para completar eu também já contei as mesmas piadinhas de portugues até para meus pais diga se passegem meus irmão mais velho quando ia contar piadas de portutugues ele falavar que era de outra raça mais os nomes era João e Manuel… estamos aqui hoje somos brasileiros dificilmente me veem como filho de portugues e sim de alemão e é como ja me chamaram muitas vezes até rato branco … nem por isto criei uma classe de ativistas, Não podemos abrigar o ódio e sim deixar Jesus nos abrigar.

15 12 2009
zwinglio rodrigues

Pr. Aécio, paz!

Comentar no blog do mestre é sempre uma honra… hahah
.
Veja, o Pr. Marco Davi em seu livro “A Religião mais Negra do Brasil” traz também como um dado o fato de que o negro sofre preconceito no meio do pentecostalismo clássico… rever isso é [uma] condition sine qua nom para uma maior dignificação da associação entre o pentecostalismo claśsico e os negros… ou não?
.
Abraços!

24 11 2009
Marlene

Olá Pastor Aécio!!! A paz do senhor Jesus.
Embora o autor do livro queira puxar a sardinha para o nosso lado quando afirma que: ” os pentecostais são oficialmente a religião negra do Brasil” discordo dessa posição, uma vez que no Brasil não é possivel afirmamos quem de fato é negro ou branco, somos uma mistura de raças.
Importa notar ainda, que o brasileiro é racista é preconceituoso o que é lastimável, pois Jesus não faz acepção de pessoas.
Inosbstante a situação acima, é importante destacar que o texto do Autor Marco Davi de Oliveira, nos remete a uma profunda reflexão será que o nosso Deus está preocupado com nossa cor?

25 11 2009
pastoraecio

É, irmã Marlene, Darcy Ribeiro fala muito bem dessa formação etnica brasileira que aponta a dificuldade de se definir quem é negro ou branco.

O que o autor do livro em questão aponta é fundamentado apenas na política de relações que o Brasil desenvolve quando alega a negritude. Assim, a “cor” da pele é que está sendo analisada.

Obviamente, nosso Deus vê nossa alma. Este é o interesse dEle. Amém, não temos um Deus preconceituoso.

Obrigado pela participação.

22 11 2009
Vinicius

Olá Pastor…
Discordo plenamente da opinião de Marco Davi de Oliveira, não existe no Brasil uma cultura de segregação racial, e sim uma segregação é social, o que me leva a pensar que quem pratica a segregação não são só os “brancos” de determinada religião, e sim um grupo social elitista. Na História deste país não vemos uma luta de cores, como nos E.U.A. Vemos sim uma luta de classes. A liberdade do negro no Brasil só foi dada ( de maneira pré-matura) pois era de extremo interesse uma classe trabalhadora remunerada, sem contar que a lei que libertava os negros foi assinada devido a uma grande pressão internacional (isso é outra história) , o que quero mostrar é que no Brasil essa liberdade levou os negros para a marginalidade social, vivendo em grandes aglomerados de casas que hoje conhecemos como favelas, mas não apenas negros como brancos, pardos entre tantos outros abastados sociais. O motivo de ter tantos negros presentes nas igrejas evangélicas talvez seja esse a grande presença desta nas regiões suburbanas onde a presença da igreja católica era quase nula, tendo em vista que até alguns séculos atrás essa mesma igreja acreditava que o negro não tinha alma e seu culto era nulo perante Deus, o culto dos negros foi transformado em uma vertente da religião, sua cultura africana permaneceu o que mudou foi a forma de ser cultuada. Os negros evangélicos não tem o mesmo custume de incorporar sua liturgia africana em seus cultos isso é visível nos cultos protestantes. Não vejo que exista um sentimento de dominação de uma cor sobre a outra por parte da maioria do negros no Brasil, existe sim um problema de identidade, que deve ser visto de outra forma.
Existe uma certa hipocrisia da sociedade em geral quando se trata de dia da consciência negra, não temos nas escolas aulas voltadas para a Africa somo um país americano, com “colonização” europeia mas que na verdade tem uma cultura mista, negros índios, brancos…o preconceito não esta em ações apenas,mas em pensamentos também, assim ações como o “dia do negro” ou estatísticas de quantos negros pertencem a determinada religião, essas coisa se tornam secundarias se não mudarmos a maneira como as pessoa pensam referente ao preconceito contra negros. E essa mudança fatalmente ira mudar a situação de segregação social que vivemos hoje…concordo com o final de seu texto “…todos são do mesmo modo um só em Cristo” independente da cultura de um povo ou de sua cor somos todos de Cristo e devemos viver em função disso.

22 11 2009
pastoraecio

Caro Vinícius, o que o autor do livro citado diz não é necessariamente uma opinão sobre a segregação racial. Ele aborda apenas fatos relacionados à negritude e as causas que podem ter levado muitos dos negros ao pentecostalismo.

Acho muito coerente sua posição, mais precisamente por ratificar o que diz Darcy Ribeiro (O Povo Brasileiro – a formação e o sentido do Brasil). De fato temos um grande problema social e isso também deve ser corrigido.

No que se refere aos evangélicos, creio seja também nossa tarefa romper com a segregação social. Isso parece estar sendo feito, teoricamente, quando todos somos considerados “irmãos”, focados no mesmo propósito.

Fico feliz com suas colocações.

Abração.

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