
O Apóstolo Paulo me surpreende sempre. Suas epístolas reservam uma profundidade teológica descomunal. Basta um passeio pelas entrelinhas de suas palavras que notamos alguma doutrina escondida. Assim o é na pequena epístola que ele escreveu para Filemon.
Trata-se de uma carta motivada pelo retorno de um funcionário fugitivo de Filemon. Onésimo, após ter fugido da casa do patrão, encontrou-se com Paulo e conheceu o evangelho. Assim, o jovem escravo foi orientado pelo apóstolo para que retornasse a Filemon. A mercê da receptividade (ou não) de Filemon, Onésimo leva às mãos de seu patrão uma carta escrita por Paulo.
Elogios marcam o início da carta. No corpo de suas declarações, Paulo diz que esteva orando para que a comunicação da fé de Filemon fosse eficaz. (Em algumas versões, o texto traz a palavra “comunhão”, no lugar de comunicação).
Atenho-me a este versículo (6). Por trás das palavras apostólicas parece haver algum conceito sobre o que seria a comunicação eficaz da fé. Nos nossos dias, Paulo certamente diria que esta comunicação eficaz se faz muito necessária. É que temos muita gente ostentando uma “fé” nada verdadeira, ineficaz, inoperante. Será que realmente temos um conceito de fé que é eficaz em sua comunicação? Ou nossa fé é apenas uma “aparência” de fé?
Creio seja nas nossas atitudes, não nas palavras, que realmente manifestamos a fé que se comunica com eficácia. Não comunicamos a fé pela realização de milagres. Antes, comunicamos nossa fé (verdadeira) pela força que ela nos dá para enfrentar os desafios da vida – mormente aqueles que não são milagrosamente resolvidos.
A fé também se torna eficaz na medida que consigo amar ao próximo, perdoar os que me ofendem, consolar os que sofrem. Se manifesta também na capacidade que tenho de administrar os momentos de dor e tristeza sem perder a essência da alegria e da paz – que excede todo entendimento.
A fé operante é a que me revela Cristo como Deus, não o Cristo dos sinais – a exemplo do que atraiu Nicodemos. Os sinais podem até apontar para sua deidade, mas isto não é o suficiente. Portanto, a fé não deve ser um produto dos sinais, mas um instrumento que nos leva a adoração a Cristo independente deles.
É a fé que me diz que Cristo é Deus independente de seus feitos. Esta é a fé que se comunica com eficácia.
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