A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes…
Uma maneira “maneira” de falar a verdade. Doa a quem doer…
A arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes…
Uma maneira “maneira” de falar a verdade. Doa a quem doer…
As homenagens a Zumbi dos Palmares, especialmente as realizadas pela igreja Católica e pelas religiões afro-brasileiras, distanciam o povo brasileiro de um dado curioso: o maior segmento religioso em número de negros no Brasil é o pentecostal.
Há quem diga que a segregação, o preconceito e a pouca oportunidade que os negros têm se ascenderem socialmente são alguns dos motivadores da conversão dos negros ao pentecostalismo. Justificam: o segmento evangélico favorece a ascensão social, dando aos negros condições de se posicionarem como líderes de brancos, ou a frente de um expressivo número de pessoas – o que raramente aconteceria em outros segmentos sociais.
O assunto faz parte da discussão muito coerente de Marco Davi de Oliveira, no livro “A Religião mais Negra do Brasil” (Mundo Cristão, 2004). Segundo o autor, os negros encontram no pentecostalismo uma liturgia mais próxima de sua origem, além da igreja pentecostal “ter chegado mais perto daqueles que eram marcados pelo estigma do desprezo social” (p. 51).
Em se confirmando tal assertiva, dever-se-ia corrigir a ênfase que a Nação dá a outras religiões quando se fala em negritude. A igreja evangélica pentecostal conseguiu atrair para si um numeroso contingente negro, marcando definitivamente o “genoma” evangélico brasileiro.
Na concepção doutrinária pentecostal tal distinção não pode existir; todos são vistos como um só povo, sob governo de um só Senhor, tendo em si um só Espírito. Destarte, segregar uma raça certamente contraria o princípio da Palavra. Somente há uma raça – a humana – considerada na Bíblia, daí porque “seja negro, seja branco”, todos são do mesmo modo um só em Cristo.
Tal posição doutrinária, no entanto, não ofusca a realidade social do número de negros nas igrejas evangélicas. Este dado deve indicar algum valor na pregação evangélica que sinaliza positivamente para a conversão dos negros. Talvez, neste aspecto, valha uma investigação mais apurada que revele ao Governo um dado digno de atenção: os pentecostais são oficialmente a religião negra do Brasil, reivindicando para si o apoio cultural que tem sido desviado para outros segmentos religiosos que se afirmam essencialmente negros.
Há tempos tenho transitado pela temática da educação. Mais recentemente, tenho falado a pais e mães sobre a necessidade de educar a liberdade dos filhos, exercendo sobre eles autoridade. Neste contexto, vejo algumas dificuldades que os pais temos (devo me incluir) de exercer autoridade sobre a liberdade, uma vez que o significado das palavras praticamente colide.
Liberdade pode ser concebida como ausência de limites. Autoridade, no contexto da criação dos filhos, deve ser entendida como “estabelecimento de limites”. Como exercer autoridade sem cercear a liberdade? Eis o nosso desafio.
Precisamos entender o que vem a ser “educação”, “liberdade” e “autoridade”, e qual a necessidade delas. Decerto que discorrer sobre os três temas individualmente nos exigirá compor um documento bem amplo. Já estou escrevendo sobre isso e em breve lançarei um livro com este tema. Aqui, cabem apenas breves anotações.
Educação é o processo de aprendizagem que parte da orientação de um mentor. O mentor não poderá exercer seu papel sem autoridade – que seria o exercício procedente de seu conhecimento. A liberdade é, portanto, o objeto de trabalho neste processo.
Educar a liberdade é levar o filho à consciência de que sua natureza carece de freios. Todos têm liberdade de ir e vir, de se portar num dado ambiente (ou sobre um tema específico) de modo a manifestar suas opiniões e comportamento. No entanto, tudo isso deve-se pautar na consciência de que não há pessoa perfeita, portanto, todos estamos à mercê do pecado. Se alguém se entrega livremente à sua natureza, certamente se autodestruirá.
O exercício da autoridade leva os pais a exporem os deslizes dos filhos, suas faltas e seus exageros. O conhecimento dos princípios morais e éticos norteará a aplicação da autoridade. O grande problema de nossa geração é que os pais parecem desprovidos de argumentos para convencer os filhos quanto aos seus limites, daí termos que conviver numa sociedade transloucada.
A liberdade, uma vez educada, será uma bênção para o filho. Um filho que reconhece suas limitações pessoais, que sabe que suas fraquezas poderão comprometer seus relacionamentos e sua vida, terá muito mais facilidade de entrar e sair em qualquer ambiente, sem ter que pôr alguém em “saia justa”.
A educação da liberdade também promove nos filhos o respeito. Respeito ao ambiente, às pessoas, aos princípios. A ausência desta educação se manifesta num comportamento desregrado, na “bandidagem”, na profanação de valores.
Que sejamos todos agentes neste processo. Que sejamos conscientes de nosso papel na criação dos filhos. Que honremos a confiança que Deus depositou em nós para gerenciarmos a alma de nossos filhos!

É bem curiosa esta corrida pastoral em busca de resultados. Refiro-me aos pastores evangélicos, mormente os neopentecostais, que atribuem seu sucesso ou seu fracasso a partir do número de seguidores que conseguem atrair. Quanto mais seguidores, mais sucesso. Quanto menos seguidores, menos sucesso.
É mais ou menos como ocorre no twitter. Dependendo da fama, há quem supere a marca de 100 mil seguidores. Mas quem tiver 1 mil já está algum degrau acima na escala do sucesso. As igrejas da era do twitter também disputam seguidores. E vale toda campanha para atrair o maior número deles.
Não posso ser hipócrita! Também sou cercado pela mesma tentação. Já pensei comigo mesmo que estratégia seria eficiente para atrair uma membresia gigantesca. Pode parecer presunção de minha parte, mas não desejo poucas centenas de pessoas congregando na igreja que lidero. Quero milhares. Sou muito parecido com os líderes neopentecostais neste aspecto.
Minha formação, no entanto, não me dá o direito de entrar pela mesma trilha da apelação. Resisto à tentação dos apelos infundados, das promoções desmedidas, das campanhas fantasiosas, dos programas frívolos, das promessas vagas de vitória…
Quero muito ver milhares comigo. Mas quero pessoas que sejam atraídas pelo comprometimento com o serviço do Senhor; pessoas que amem de tal forma esta causa que sejam por ela cativas.
Não me associo aos manipuladores evangélicos. Não me associo àqueles cuja motivação é duvidosa. Antes, devo me associar aos discípulos, que sequer amavam a própria vida mais que a igreja. Eles nem mesmo estavam preocupados se morreriam ou se viveriam… o que interessava para estes era a Obra de Deus e que ela não sofresse descontinuidade. Deve ser este o perfil dos que buscam verdadeiro sucesso na carreira ministerial.

O Apóstolo Paulo me surpreende sempre. Suas epístolas reservam uma profundidade teológica descomunal. Basta um passeio pelas entrelinhas de suas palavras que notamos alguma doutrina escondida. Assim o é na pequena epístola que ele escreveu para Filemon.
Trata-se de uma carta motivada pelo retorno de um funcionário fugitivo de Filemon. Onésimo, após ter fugido da casa do patrão, encontrou-se com Paulo e conheceu o evangelho. Assim, o jovem escravo foi orientado pelo apóstolo para que retornasse a Filemon. A mercê da receptividade (ou não) de Filemon, Onésimo leva às mãos de seu patrão uma carta escrita por Paulo.
Elogios marcam o início da carta. No corpo de suas declarações, Paulo diz que esteva orando para que a comunicação da fé de Filemon fosse eficaz. (Em algumas versões, o texto traz a palavra “comunhão”, no lugar de comunicação).
Atenho-me a este versículo (6). Por trás das palavras apostólicas parece haver algum conceito sobre o que seria a comunicação eficaz da fé. Nos nossos dias, Paulo certamente diria que esta comunicação eficaz se faz muito necessária. É que temos muita gente ostentando uma “fé” nada verdadeira, ineficaz, inoperante. Será que realmente temos um conceito de fé que é eficaz em sua comunicação? Ou nossa fé é apenas uma “aparência” de fé?
Creio seja nas nossas atitudes, não nas palavras, que realmente manifestamos a fé que se comunica com eficácia. Não comunicamos a fé pela realização de milagres. Antes, comunicamos nossa fé (verdadeira) pela força que ela nos dá para enfrentar os desafios da vida – mormente aqueles que não são milagrosamente resolvidos.
A fé também se torna eficaz na medida que consigo amar ao próximo, perdoar os que me ofendem, consolar os que sofrem. Se manifesta também na capacidade que tenho de administrar os momentos de dor e tristeza sem perder a essência da alegria e da paz – que excede todo entendimento.
A fé operante é a que me revela Cristo como Deus, não o Cristo dos sinais – a exemplo do que atraiu Nicodemos. Os sinais podem até apontar para sua deidade, mas isto não é o suficiente. Portanto, a fé não deve ser um produto dos sinais, mas um instrumento que nos leva a adoração a Cristo independente deles.
É a fé que me diz que Cristo é Deus independente de seus feitos. Esta é a fé que se comunica com eficácia.
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