
Já falei sobre Moisés algumas vezes. Apontei até sua perspicácia – assinalada pelo Apóstolo Paulo – de pôr o véu sobre o rosto (vd “Precisamos de véu?”). Mas quero me ater hoje a outro curioso detalhe da vida deste patriarca.
Sua vida está dividida em 3 etapas de 40 anos. A primeira, vive Moisés no Palácio. Na escola do Egito, o jovem Moisés aprendeu a lidar com legislação, foi educado nas ciências, era um rapaz formoso, conhecedor do sistema político que regia a nação.
A primeira escola de Moisés forjou um indivíduo “cheio de si”. Tal presunção o faz pensar que estava num degrau acima dos seus consanguíneos hebreus. Moisés diz de si: serei o libertador do meu povo. Embalado pelo ritmo da soberba, vê-se no direito de aplicar justiça com as próprias mãos, matando um egípcio que maltratara um hebreu. Todos se levantam contra Moisés, inclusive seus irmãos. Sobre o fato, o diácono Estêvão opina: “ele (Moisés) pensava que seus irmãos compreenderiam que Deus o estava usando para salvá-los” (Atos 7.25).
Moisés foi obrigado a fugir para as terras de Midiã. Lá, foi matriculado na escola da provação, do deserto. Viveu 40 anos como pastor de ovelhas, até ter uma visão do Deus de fogo que não queima. Exposto à grandeza do Eu Sou, Moisés abriu mão do “eu sei”. Desafiado a voltar para o Egito e libertar seu povo, ele pergunta: “quem sou eu?” (Exodo 3.11). Moisés estava formado numa outra escola – a de Deus.
Nesta escola nós aprendemos que não é nosso talento, nosso conhecimento, nossa habilidade, nossa própria esperteza que nos levam a grandes conquistas. Aprendemos a reconhecer nossas limitações. Aprendemos que somos dependentes do grande Eu Sou. Aprendemos a dizer: “Senhor, Tu o sabes…”
Deus parece apreciar esta escola, e me matriculou nela também. Sinto que estou cursando… Estou nas terras de Midiã. É aqui que reconheço minha parcialidade, minha vulnerabilidade. Aqui tenho feito questionamentos semelhantes ao de Moisés na sarça ardente: quem sou? como posso? por que eu?
O questionamento de Moisés ao se deparar com Deus não foi um desdém ao seu chamado. Não foi uma afronta à vocação. Antes, foi um reconhecimento de que nada podemos fazer, ser ou ter se não for pela maravilhosa Graça. Ainda que tenhamos que trabalhar, como disse o Apóstolo Paulo, tem que ser “Pela graça de Deus”.
A terceira etapa da vida de Moisés é ainda repleta de lições que nos mostram o caráter daquele que foi moldado na escola de Deus. Não me cabe aqui ressaltá-las. Interessa-me, apenas, perguntar: em que escola você se encontra? Permita-se ser usado por Deus, exposto por Deus e levado por Ele mesmo ao cumprimento de seu propósito. Afinal, há grande diferença entre os “chamados pastores” e os “pastores chamados”.
Presente! Senhor!
Lindo texto!!Quero ser doutora nessa escola! rs
Acho que devemos sentir mais prazer em dizer, isso não é meu, é dom de DEUS, do que “enchermos a bola” do nosso eu.
É a graça e a misericódia de DEUS que nos fortalece e faz de nós o q somos!!
bjos Papi !!
Nas terras de Midiã aprendemos a depender totalmente de Deus. Mas é lá também que Deus se manifesta como guardião da promessa (Eu Sou o Deus de teu pai), que nos chama para a santidade (tira a sandália…) que se revela como Eterno (Eu Sou, nunca “fui” ou “serei”) e declara sua imanência – importa-se com seu povo (ouvi o clamor…). Para sermos usados por Deus, temos que ser levados a tal experiência.
Bjos, Ludy
Quero participar dessa escola que Moises entrou e cursar até o final!
Presente! Senhor!