Na última quarta-feira preguei sobre o que levava o Apóstolo Paulo a se prostrar diante do Senhor. Entre muitas coisas, ressaltei que o referido Apóstolo acena em sua teologia para um certo conflito entre o homem interior e o homem exterior. Para Paulo, estes dois homens num mesmo ser travam grande batalha. Por vezes, o homem natural (exterior) revela sua força, a força do pecado – esta natureza da qual não nos livramos facilmente. Outras vezes, somos solícitos ao homem espiritual (interior) cuja força está na vida de Deus injetada no nosso espírito.
(Preguei!) e me vi desafiado pela Palavra que eu mesmo preguei. É que eu sou a melhor referência desta peleja entre os dois homens. Vejo-me ora em um, ora em outro. Neste aspecto, sou bipolar.
Eu gosto de atribuir à situação este meu dilema. Dependendo do que estou sendo obrigado a enfrentar, um ou outro homem se manifesta. Hoje mesmo foi assim. Saí de casa pensando que alimentaria ao máximo meu “homem interior” (pois logo mais devo liberar uma mensagem no culto da noite). No entanto, diante do balcão de uma companhia aérea em Cumbica, vi meu velho homem com um poder latente. Fui informado, na hora do check-in que o meu vôo havia sido transferido para quatro horas depois… Fiquei irado. Nervoso. Reclamei, falei alto com o supervisor, queria ir até as últimas consequências. Quais? Eu queria esmurrar o supervisor. Só isso. Estava me sentindo o todo-poderoso desrespeitado e moralmente agredido, portanto, com o direito de agredir quem quer que fosse…
Mas o rapaz nada podia fazer. Ele não foi o responsável pela mudança do vôo. Ele não reagiu ao desaforo meu. Calmo, disse que eu tinha alguns direitos e deveria recorrer, mas, naquele momento, nada ele poderia fazer. Foi difícil, mas eu entendi.
Foi aí que fiquei com vergonha de mim mesmo, do meu desaforo. Era nada menos que a exibição do homem natural, achando-se o máximo! Miserável homem que sou…
E vi meu homem interior me advertir com a mesma agressividade com a qual eu queria advertir o supervisor. Mais ainda, o meu homem interior conseguiu me bater…
Agora estou aqui, “calminho”, sentado à mesa de uma lanchonete para tomar um café, chorando por dentro e pedindo perdão a Deus. Agora, uno-me ao Apóstolo e digo: “por esta causa me ponho de joelhos: para que o meu homem espiritual seja fortalecido pelo poder do Espírito Santo”.









Comentários