ASSÉDIO POLÍTICO

8 02 2010

Este é o ano! Sim, este é o ano dos assédios políticos. Pastores, preparem-se!

Desde dezembro estou sendo assediado por políticos que querem patrulhar os votos da igreja. Propostas muito boas: desde ofertas pessoais até realização de eventos gigantescos patrocinados por eles. Tudo com a finalidade de acurralar os membros e garantir uma boa votação.

Não tenho qualquer interesse! Estou me referindo ao meu desinteresse pela barganha, pelo patrulhamento de votos, pelas cruzadas eleitoreiras. A igreja consegue viver sem elas, está provado.

Aparte o assédio. Sou favorável que a igreja se posicione politicamente, que eleja com sabedoria os representantes do povo, que cumpra sua missão social, que avalie os candidatos por suas propostas. Tenho também minhas preferências, mas não me esforçarei nem um pouco para influenciar alguém. Chega de decepções.

Posso garantir, por experiência própria, que nada pode ser mais desgastante e prejudicial ao bom andamento da igreja do que o envolvimento ostensivo com as campanhas eleitorais. Que Deus nos livre, e nos dê sabedoria necessária para desenvolvermos nossa missão sem nos render à ambição (veja artigo – Missão e Ambição – neste blog).





ACIDENTES ENSINAM

5 02 2010

Ontem vi a aflição de meu filho. Terminado o culto que marcou meu retorno das férias, Kemuel foi desafiado por um coleguinha a correr de bicicleta. Descontrolou-se e caiu de rosto no chão. Feriu a testa, cortou os lábios, quase perdeu dois dentes, machucou a mão… Ficou desesperado.

A caminho do hospital, meu filho de 8 anos exagerou. Ele estava desesperado, achando que ia morrer. Disse algumas vezes: e se eu morrer? e se eu não  me lembrar mais das coisas? E se eu ficar internado? E se o médico fizer cirurgia?

Obviamente, o quadro do meu filho não inspirava qualquer destas preocupações. Mas ele não se conformava, cobrando a si mesmo: por que eu fiz isso?

Por vezes falei pro meu filho que acidentes acontecem com qualquer um. No entanto, o que difere uma pessoa da outra é a capacidade de aprender com as lições que os acidentes dão.

Ouvi alguém dizer que os inteligentes aprendem com os próprios erros; os sábios aprendem também com os erros dos outros. Quando os acidentes não puderem ensinar à sua vítima alguma lição, certamente ensinarão tal lição a outrem.

O nosso grande problema é que não temos aprendido muito com os acidentes da vida, e eles se perpetuam por conta da nossa ignorância.





PALAVRA TORPE

12 01 2010

Não poucas vezes os pregadores falam coisas no púlpito sem pensar nas conseqüências. Outro dia ouvi um pastor asseverar: “Se Deus está contigo, tudo te Irá bem. Você tem que prosperar, pois a presença de Deus garante isso”. Pode parecer uma boa palavra de incentivo, mas tem conseqüências nefastas. Nem sempre a presença de Deus é garantia de sucesso absoluto em tudo. O “dar certo” ou “dar errado” não podem ser um instrumento medidor da presença ou ausência de Deus.  Há casos em que Deus se faz presente e as coisas não vão bem.

Mais recentemente, um pregador disse: “O melhor de Deus pra sua vida está por vir…”. Isso deve agredir os ouvidos do Pai, pois o MELHOR DE DEUS PARA NOSSA VIDA JÁ VEIO: é Cristo! Nada pode ser melhor que isto. Quando afirmamos que o melhor de Deus está por vir, estamos dizendo que Cristo em nós é apenas uma bobagenzinha.

Sei que muitos poderão argumentar dizendo que são apenas declarações “enfáticas”, não se referindo exatamente ao sentido literal da expressão.  Tal argumento é sofisma. Quem nos ouve, na pluralidade contextual, pode simplesmente estar vivendo conflitos espirituais por conta destas declarações.

Há ainda uma outra frase que muito me incomoda: “Que parte da bíblia é verdade? Aquela na qual você acredita!”. Já ouvi esta declaração algumas centenas de vezes e isso me causa grande desconforto pois sei que tudo na Bíblia é verdade, creia eu ou não. Fazer uma declaração como esta incorre em alguns riscos. Primeiro, RELATIVIZA a verdade bíblica, acomodando-se ao conceito pós-moderno de certo e errado. Segundo, coloca o público em posição de tolo, uma vez que a verdade NUNCA DEIXARÁ DE SÊ-LA caso alguém não acredite nela. Seria como se um objeto solto no ar deixasse de cair no chão, contrariando a Lei da gravidade, simplesmente por alguém afirmar que não crê nesta lei.

São estas e outras declarações que acabam “vendendo” um evangelho diferente do que Jesus pregou. Precisamos estar atentos ao que falamos, pedido ao Espírito Santo que seja um “guarda a porta de nossa boca”, como bem sugeriu o salmista.

Deus tenha piedade de nós!





A GRAÇA DO CASAMENTO

5 01 2010

Meus últimos sete meses de 2009 foram marcantes. Adoeci. Jamais imaginei que teria de enfrentar uma doença na alma. Justo eu, um pastor bem resolvido, em plena ascensão ministerial, com todas as minhas funções sendo habilmente desempenhadas… Pois é, fiquei doente. Diagnóstico: estresse agudo com esgotamento físico. Esta doença manifesta seus sintomas de forma plural. No meu caso, começou com uma arritmia, estendeu-se por problemas de circulação, dores musculares, crises de pânico e oscilações emocionais. Visitei o terreno da depressão, mas não me detive nele. Esta é a doença do século que acomete um expressivo número de pessoas em todo o mundo. No entanto, eu não me considerava apto para tanto! Pensei que estava imune. Engano!

Nestes sete meses de 2009 eu vi meu casamento por uma ótica que nunca havia visto. Vi minha esposa e meus filhos com outros olhos. Os laços que tenho construído com minha família foram meu maior suporte. Claro que eu sempre tive esta convicção, mas tudo ainda era teórico. Fico feliz em saber que não estava errado. Na prática, são estes laços que nos firmam mesmo!

Minha esposa é sábia. Jovem e sábia. Em nenhum momento deixou-se levar pela pressão emocional, nem mesmo espiritualizou meu sofrimento. Entendeu tudo, prontamente, e não arredou de perto. Dedicou-se 24 horas a mim, sem se anular e sem comprometer sua liderança sobre nossos filhos. Como isso foi possível? Pergunte a ela, pois somente as mulheres têm esta habilidade.

O estresse não é simplesmente um cansaço. Não me sentia cansado! O estresse não é, necessariamente, a intolerância ou a pressão da responsabilidade. Tudo isso pode advir do estresse, mas esta doença é muito mais sutil. Ela nos permite distinguir de modo mais eficaz a diferença entre a pressão e a opressão. A trilha de uma leva à outra. E, embora seja num campo semelhante ao espiritual, centra-se na alma, não no espírito. Quando a opressão é espiritual, uma oração de libertação resolve. Quando a opressão é no terreno psicológico, tem que ter médico, remédio e uma esposa como a minha!

Quem acompanha meus textos já percebeu que sempre valorizei a mulher que Deus me entregou. Mas devo confessar: tudo o que disse não dá para avaliar o quilate dela. E, como versei num dos meus artigos, foi ela quem tomou posse da batuta e regeu com maestria nossa relação. Foi capaz de compreender meus impulsos, minhas neuras, minha intolerância, meus choros e minhas angústias. O que a torna especial? Afirmo, sem dúvida, que é a graça do Senhor.

A graça, aquela da qual falei num dos primeiros artigos, que se traduz na força de suportar as fraquezas. A graça que, associada ao amor, inspira a mais perfeita harmonia. A graça tem esta graça!

Foi a graça da mulher sábia; a graça da família bem estruturada; a graça de uma dedicação e de uma disposição; a graça que consegue enxergar pelas escamas da dor. Foi esta graça que sustentou meu ministério e me deu condições de reagir em favor da minha família. Foi esta graça que fluiu espontaneamente de uma relação sadia e madura. Pela lente da graça, vejo hoje minha família muito mais forte, muito mais ousada, muito mais destemida! A graça não me isenta da dor, mas me permite passar por ela de cabeça erguida.





UNIDADE NÃO É RELACIONAMENTO

29 12 2009

Há dias estou pensando no título acima. Uma das bandeiras que sempre ostentei foi a da Unidade, muito antes de trabalhar no Conselho de Pastores. Sempre imaginei que a Igreja de Cristo deve viver sobre a base da Unidade e assim desempenhar seu precioso papel de fazer Jesus conhecido de todos os povos.

Nos “anos de minhas retinas fatigadas”, como diria Drummond, não assisti muito avanço no que se refere a Unidade da igreja. O que temos é um relacionamento mais maduro entre as denominações, não uma Unidade.

Dizem que a Unidade existe virtualmente, no campo estritamente espiritual. Pode ser que sim. Mas me preocupa o fato de Jesus ter sugerido em sua oração que esta Unidade deve ser EVIDENTE, ou seja, VISÍVEL.

A ausência de unidade não exclui a possibilidade de um relacionamento. Não podemos confundir uma coisa com outra. No Eden, quando o casal pecou, houve a quebra da Unidade. Ainda assim, o casal continuou se relacionando. Isso sugere que Relacionamento não implica Unidade, embora o inverso seja verdadeiro.

Chego ao final de 2009 olhando para o Conselho do qual sou Secretário Executivo e me pergunto: vivemos a Unidade? Creio que não. No máximo, nos relacionamos. Tivemos pelo menos 10 mil pessoas – a maioria pastores – das mais variadas denominações presentes nas 12 celebrações que fizemos. Tivemos a presença de “renomados” líderes nacionais e internacionais. Tivemos momentos de quebrantamento, choro, alegria, prazer… Mas não creio que tenhamos vivido a plenitude da Unidade.

Unidade exige concessões que nem todos estão dispostos a fazer. Unidade é cumplicidade. Unidade é falar a mesma coisa, submeter-se ao mesmo princípio e credo. Há quem diga que há unidade na diversidade. Esta é uma maneira bonita de dizer: “nos relacionamos sem necessariamente sermos um”. Isso não é unidade, é relacionamento.

Que em 2010 nossos olhos fiquem mais atentos. Se queremos Unidade, devemos estar dispostos a correr alguns riscos. Se na Cruz de Cristo a unidade foi estabelecida, que sejamos verdadeiramente UM, como Cristo o é em Deus.





MENSAGEM DE FIM DE ANO

25 12 2009





DISCÍPULOS DE ONÃ

21 12 2009

Onã é um personagem bíblico que se casou com a viúva de seu irmão. Quando fazia sexo com ela, não permitia a concepção: ejaculava na terra. Por isso, Deus o matou. O nome de Onã ficou associado à masturbação: onanismo.

Parece claro na história que Deus condenara a atitude de Onã pelo fato de ele não ter permitido a concepção. Ou melhor, Onã é o exemplo de pessoas que se rendem ao prazer, mas sem frutos.

Há muitos Onãs nos nossos dias. Dos palácios aos púlpitos, todos querem gozar, mas não querem produzir nada. O prazer pelo prazer, sem fruto. Já versei sobre isso noutra ocasião, inclusive neste blog – tem um vídeo que postei com um trecho da mensagem que preguei sobre o prazer do prazer – e reforço aqui: não dá mais para assistir passivamente.

Na igreja, há quem siga os exemplos de Onã: são cercados pelo prazer de cantar, de ouvir, de chorar (de emoção), de pular, de dançar… Mas, pergunte-se, que fruto advém disso?

Não sou contrário ao prazer. Antes, creio que nada deva ser feito sem prazer. Sou contrário ao prazer sem fruto. Tem que haver objetivo, propósito, resultado. Assim, o prazer conciliado ao fruto será também aprovado pelo Senhor da Obra.





A HORA DA ESTRELA

15 12 2009

Macabéa começou sua vida quando morreu. Sua trágica morte deu visibilidade àquela jovem alagoana que se via como um “cisco” no universo. Macabéa – personagem de Clarice Lispector – teve sua hora de estrela quando foi atropelada por um carro. Somente aí, quando seu desejo de ser estrela de cinema foi realizado, Macabéa diz ter nascido (e não morrido).

Macabéa está por todo lado. Está no desejo escuso de quem quer ser o que não é. Está na estratégia ridícula de “posar” com vestido curtíssimo na universidade para se tornar famosa. Está na fomigerada participação dos “realitys” – que nada têm de “reality” – apenas para “nascer” com estrelismo. Alguns duram apenas segundos, mas são desejados até à morte.

Lispector conseguiu traduzir um desejo sorrateiro. Revelou que em cada um desfigurado brasileiro há algo latente que insta para se tornar famoso. Embora cada um saiba, no íntimo, que não é o que deseja ser, ainda assim se persegue com audácia esse desejo.

Geisy Arruda é Macabéa. Nem percebe que morreu, pensa apenas que nasceu. Está tão morta que tem que se desvestir do corpo que tinha e para “refazer” suas curvas e incorporar a personagem. Este é o problema do estrelismo barato – o real tem que ser asfixiado para que a personagem entre em cena.

Não é assim na vida? Estamos todos cercados de personagens – mitos semelhantes ao “filho do Brasil” – cujo interesse é apenas ser uma estrela que brilha como Macabéa.





MISSÃO OU AMBIÇÃO?

7 12 2009

(NOTA: O texto abaixo não é o mesmo que meu leitor solicitou. Lamentavelmente, não tenho mais aquele texto. Perdi em algum lugar dos meus arquivos. Este, no entanto, reflete um pouco o que penso sobre o assunto. É um pouco longo, mas vale ler.)


Ambição é desejo. É querer não apenas o que é de direito. É ir além. Ambição força o indivíduo a desrespeitar os limites. Ambição é cobiça, avareza.

A ambição foi severamente condenada por Cristo, aferindo o mandamento mosaico. Apesar disso, ainda assim alguns discípulos foram flagrados com o pecado da ambição. Foi a ambição que levou Judas a trair, a mesma ambição que se apoderou de Ananias e Safira, nos tempos apostólicos. A ambição, enraizada na natureza humana – solidariedade da raça caída – não permitiu nem mesmo a alguns seguidores de Cristo o controle absoluto dessa força maligna. E ainda hoje é assim.

A ambição sufoca, asfixia a Missão. Tem poder de perverter o sentido santo da Obra e colide, afronta, mata.

E não é porque os homens amam a ambição. Parece que não, pelo menos teoricamente. A grande maioria dos homens, cristãos ou não, luta contra ela. Ainda assim seus atos acabam denunciando um quase absoluto descontrole. Há uma raiz inconsciente, uma natureza caída que insta para a ambição.

Nem o simples Frodo (de “O Senhor dos Anéis”) conseguiu ver-se livre do encantamento do poder. O coração do homem é facilmente corrompido. Isso fica muito nítido na metáfora de George Orwell, quando os porcos – movidos pelo desejo de dominar – acabam por escravizar os demais, na Revolução dos Bichos.

A supremacia desse desejo rege o comportamento da maioria. E não isenta a minoria restante de ser tentada por ela. O homem que se entrega aos desejos escusos torna-se escravo da cobiça. Quem bebe desta fonte nunca está satisfeito. Que o digam os políticos.

Nicolau Maquiavel sugeriu como se chegar ao poder independente dos meios. E fez escola. Na boa verdade, Maquiavel teria dito que os fins determinam (e não justificam) os meios. Mas a lição transmitida pelo inconsciente coletivo é mesmo pejorativa. Os políticos aprenderam a usar as armas contrárias à moral, à ética, à cidadania, tudo para satisfazer o prazer de dominar. Os maquiavélicos (no sentido atual do termo) políticos de hoje não respeitam nem mesmo suas mães. Querem o poder a qualquer custo. São capazes de se venderem, ou de comprarem os outros, articulam, armam, mentem, sofismam, agridem o bom senso.

Missão não coaduna com esse sentimento. Missão é desprendimento.

Cristo entregou-se a si mesmo, não usurpou sua Missão. Ele deu o legado da obra e seus seguidores deveriam vencer o desejo latente (ambição) com a arma singela da missão: o amor.

Mas a ambição está acima da missão. Discípulos dos nicolaítas se proliferam, homens que amam posição, querem liderar, extorquir sutilmente. Já têm sentença revelada no Apocalipse de João, mas insistem em perseguir seus desejos, pondo a missão à mercê de seus prazeres.

Enquanto isso, o mundo grita como os tripulantes do navio que seguia para Tarsis. Tempestades psicológicas, tormentas éticas, tsunamis emocionais e crises existenciais acoitam o povo com a violência dos tufões. E os ambiciosos desvairados dormem comodamente no porão, indiferentes a tudo.

Há de ser que novos tempos virão. Alguém será despertado. Não se pode negar a esperança de um novo mover, quando os responsáveis pela missão serão sacudidos, nem que seja no ventre do peixe. E a missão estará acima de qualquer outro interesse.





POLITICAGEM ECLESIÁSTICA

1 12 2009

Hoje é dia de eleições na Bahia. Isso mesmo, trata-se do processo que vai definir o novo presidente da Convenção Estadual das Assembléias de Deus – a CEADEB. Promete ser uma briga eleitoral digna de cenários seculares!

O nível das disputas é realmente interessante. O atual presidente concorre à reeleição. O seu adversário – claramente inelegível pelo Estatuto da CEADEB – conseguiu uma liminar na justiça para concorrer ao pleito. Pelo Estatuto, ele seria inelegível por furtar-se dos pagamentos do chamado Fundo Convencional (um percentual que as igrejas pagam à Convenção por força estatutária). No entanto, o candidato alegou que sua igreja não é filiada à CEADEB, justamente a instituição a qual ele deseja dirigir.

Cito o fato apenas para relatar uma angústia que carrego há tempos: esta politicagem deve distar dos propósitos divinos! A igreja, que insta pela vida em comunhão, pelos princípios do amor e da espiritualidade sadia, rende-se a um pleito que transita pela insanidade, pela disputa desvairada, pelas acusações desmedidas, pela calúnia e por mais outras loucuras da mente corrompida. É o mesmo quadro que há meses se assistiu em âmbito nacional, quando das eleições que definiram a reeleição do presidente da CGADB – Convenção Geral das Assembléias de Deus. Este quadro não é privilégio da Ass. De Deus: reverbera nos pleitos da Quadrangular, da Presbiteriana, da Batista e de outras denominações evangélicas.

Penso comigo: que interesse teria Deus de fomentar esse tipo de política? Que motivação tem estes homens que brigam com afinco pelo poder eclesiástico? Estes mesmos devem estar pouco preocupados com a vida da igreja! Aliás, não dá para afirmar se há vida neste contexto, uma vez que o cheiro de morte parece enaltecido.

Misericórdia, Senhor! Quero viver a “Graça da Garça – a arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes!”